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Pablo Iglesias: "Primavera da mudança chegou a Espanha para ficar"

O PP ganhou as eleições autárquicas e autonómicas espanholas deste domingo, mas perdeu feudos históricos e será obrigado a coligar-se com outras forças políticas em cidades e regiões autónomas para formar novos governos. O “início da mudança”, “a noite mágica e histórica em que se começa a escrever o fim do bipartidarismo”, afirma o secretário-geral do Podemos, Pablo Iglesias.
"Esta primavera da mudança chegou a Espanha para ficar", prometia o líder de Podemos, antes de vaticinar que o processo de mudança culminará nas eleições gerais do final do ano.

O Podemos entrou em todos os parlamentos autonómicos, obtendo melhores resultados que os Ciudadanos, a outra formação política que irrompeu nestas eleições, à exceção do caso da Comunidade Valenciana. São terceira força política em oito comunidades (regiões autónomas), excepto em Cantabria, Canárias e Navarra (quarta) e Valência (quinta).

Pablo Iglesias reivindicou para o Podemos o papel da mudança em Espanha e realçou que os “partidos do poder” obtiveram “um dos piores resultados da nossa história”. “É um orgulho e uma honra ser o palanque da mudança”, afirmava Iglesias, na companhia do candidato madrileno José Manuel López e do número dois do partido, Iñigo Errejón.

Apesar de o Podemos se ter cimentado como terceira força nas comunidades de Madrid e Aragão, Iglesias deixou de lado qualquer triunfalismo. Estava mais sorridente do que na noite eleitoral das europeias, nas quais o partido elegeu 5 deputados, ainda que tenha reconhecido que gostassem “que o desgaste dos partidos tivesse sido mais rápido”.

O Podemos tem hoje nas suas mãos as chaves de um número importante de parlamentos e autarquias, e só nas próximas semanas se poderá começar a ver a configuração do novo tabuleiro político no qual PP e PSOE perderam o seu papel de protagonistas em muitas cidades e regiões autónomas.

Em concreto, com mais de 90 por cento dos votos escrutinados, e nas quatro zonas que o partido tinha definido como prioritárias, o Podemos conseguiu 27 eleitos em Madrid, contra 47 do PP. Em Aragão, Pablo Echenique colocou o partido em terceiro lugar com 14 mandatos, longe dos 21 do PP, mas apenas a 5000 votos do PSOE, que foi segundo.

Nas Astúrias elegeu 9 mandatos, o PSOE conseguiu 14. Porém, em Valência o resultado foi abaixo do esperado, ficaram em quinto lugar com 13 lugares, contra 31 do PP.

Colau, Carmena, Echenique e López foram os protagonistas

"Esta primavera da mudança chegou a Espanha para ficar", prometia o líder de Podemos, antes de vaticinar que o processo de mudança culminará nas eleições gerais do final do ano.

“Madrid, da mão de Manuel e José Manuel, demonstrou que se podia vencer”, sustentava Iglesias perante milhares de apoiantes, que durante o seu discurso gritavam frequentemente “Não passarão, “Presidente”, ou “Manuela, Manuela”. A candidata da coligação Ahora Madri, apoiada pelo Podemos, foi bastante elogiada por Iglesias, tal como Ada Colau, que venceu as eleições na cidade de Barcelona.

O candidato madrileno, José Manuel López, agradeceu os mais de 500 mil votos conseguidos, e prometeu trabalhar a partir da Assembleia para impulsionar o seu projeto para a Comunidade de Madrid. Minutos depois, cedia a palavra ao seu homólogo em Aragão, Pablo Echenique, que intervinha através da internet para sublinhar o quão perto ficaram de ultrapassar o PSOE na sua comunidade, e para prometer que a mudança que anunciam já está marcha e é imparável.

Pablo Iglesias, vários dirigentes estatais e regionais e José Manuel López, seguiram a noite eleitoral a partir da sede da União de Associações de Trabalhadores Autónomos e Empreendedores (UATAE), em Delícias.

Depois de uma breve apreciação dos resultados, o secretário-geral do Podemos deslocou-se a Moyano, onde se reuniu com os simpatizantes e líderes da candidatura Agora Madrid, para depois se dirigir à praça do Museu Rainha Sofia na capital, onde celebraram os resultados das eleições europeias há exatamente 364 dias.

Foram precisamente as candidaturas de unidade popular municipais que neste domingo celebraram os maiores feitos em cidades chave do Estado espanhol. Em Barcelona, onde Ada Colau impôs-se a Xavier Trias (CiU). Manuela Carmena (Ahora Madri) é segunda com apenas menos um vereador que Esperança Aguirre (PP), mas poderá vir a contar com o apoio do PSOE de Antonio Carmona, terceiro, para formar maioria.

Não conseguiram ganhar nenhuma região autónoma, mas partiam do zero e entraram em todas. Num contexto em que várias forças políticas irromperam e outras desapareceram, o Podemos está consciente de que voltou a demonstrar força. Pelo menos é isso que se depreende das efusivas celebrações que se registaram na noite deste domingo em frente ao museu Rainha Sofia. Como fez questão de deixar claro Pablo Iglesias, a “mudança é imparável”.

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