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BdP tem provas de que Ricardo Salgado ordenou a falsificação de contas da ESI

O Banco de Portugal acusou quinze administradores e três empresas de ilícitos dolosos ou negligentes, noticia este sábado o Expresso. O semanário refere ainda que o supervisor tem provas de que o ex presidente do BES deu ordens para que a contabilidade da ESI fosse adulterada.
Foto de Miguel A. Lopes/Lusa (arquivo)

Segundo o semanário, não existe um único administrador do BES à altura que não tenha sido alvo de uma acusação por parte do Banco de Portugal (BdP).

As acusações, que abrangem ainda três empresas - BES, ESFG (Espírito Santo Financial Group) e ESAF (sociedade gestora do grupo) -, e para as quais o testemunho de Pierre Butty, ex-administrador da Espírito Santo Services na Suíça terá sido essencial, passam, entre outras, pela prática de atos de gestão ruinosa em detrimento dos depositantes, investidores e demais credores, por falsificação da contabilidade da ESI, violação de regras sobre conflito de interesses a título doloso na colocação junto de clientes do BES de papel comercial da ESI, prestação a título doloso de falsas informações e a não adoção de um sistema de gestão de riscos compatível na colocação dos títulos de dívida da ESI junto de clientes do BES.

O Expresso adianta ainda que o supervisor tem provas documentais de que Salgado ordenou que a contabilidade da ESI fosse falsificada, o que, neste caso, "mostra que Salgado, por exemplo, terá mentido na comissão parlamentar de inquérito".

As coimas a aplicar podem ir até aos cinco milhões de euros, no caso das instituições, e até aos dois milhões, no caso de pessoas singulares. Caso sejam acumuladas condenações, o cúmulo jurídico vai até ao dobro da pena, conforme escreve o jornal.

Já no que respeita às inibições de exercício de atividade, estas podem atingir, no máximo, até 10 anos no caso de ato doloso para as acusações de que são alvo Ricardo Salgado, José Manuel Espirito Santo, Manuel Fernando Espírito Santo e Ricardo Abecassis.

Este é o primeiro processo concluído dos vários que foram instaurados pelo Banco de Portugal (BdP). O objetivo passava por "perceber de que forma a colocação de papel comercial da ESI [Espirito Santo Internacional] e da Rioforte junto de clientes entre dezembro de 2011 e dezembro de 2013 teria prejudicado o BES em termos materiais ou reputacionais".

Lesados do BES manifestam-se em Sintra

Este sábado, a Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial do Grupo Espírito Santo (GES) vai manifestar-se em Sintra, onde tem lugar o segundo fórum mundial do Banco Central Europeu (BCE).

Pelas 15h realiza-se uma assembleia-geral da associação num hotel em Sintra e, pelas 20h, haverá um cordão humano formado novamente no Penha Longa Hotel, onde decorre o segundo fórum mundial do BCE.

Recentemente, o BCE enviou um e-mail ao Banco de Portugal afirmando que tem de ser consultado sobre qualquer solução dada às pessoas que investiram em papel comercial do GES e que é sua a palavra final. A instituição dirigida por Mário Draghi frisava "não aceitar que o Novo Banco compense os investidores, dado que tal poria em causa a hierarquia de credores prevista nas regras europeias da resolução bancária".

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