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Eliminar os exames dos 4º e 6º anos

Estes exames perturbam o trabalho dos professores nas salas de aula e alteram a avaliação dos alunos de uma forma não mais completa ou rigorosa. Os professores estão a treinar para os exames, em vez de estarem a dotar os alunos de conhecimentos e capacidades importantes.

Para esconder os cortes de verbas para a educação, o aumento do número de alunos por turma, a diminuição dos horários de apoio escolar e outros atentados ao direito à educação, o Governo mais retrógrado desde 25 de Abril, só podia recorrer ao regresso ao espírito do exame da 4º classe do tempo da Ditadura. Numa operação de pura demagogia, tem o descaramento de falar em rigor, quando pratica uma política de desleixo pelas necessidades da escola pública.

Os exames – nestes níveis etários dos 4º e 6º anos – não atestam a qualidade do ensino e das aprendizagens. Pelo contrário, o contexto em que se realizam e a pressão exercida sobre as crianças poderá até distorcer negativamente a avaliação que é feita sobre as mesmas, ao mesmo tempo que desvaloriza o trabalho continuado dos alunos e dos seus professores.

Estes exames perturbam o trabalho dos professores nas salas de aula e alteram a avaliação dos alunos de uma forma não mais completa ou rigorosa. Os professores estão a treinar para os exames, em vez de estarem a dotar os alunos de conhecimentos e capacidades importantes.

Entre os países da União Europeia só Malta tem exames com no 4.º ano. A avaliação em Portugal é encarada como um elemento de controlo e eventualmente de punição, e não tanto como um elemento de melhoria. Os exames de 4º e 6º ano têm potencial de exclusão social, um potencial penalizante para agravar o risco de reprovação e exclusão social

As regras sobre a vigilância dos exames obrigarão mesmo à interrupção de aulas em muitas das escolas EB 2,3, o que, por si só, constitui uma alteração que põe em causa o normal funcionamento das escolas em que as provas se realizam.

Mais de metade dos alunos do 4.º ano – 50 mil – são obrigados a fazer o exame noutra escola que não a sua, em muitos casos noutra localidade, com professores que não conhecem, porque o exame tem que ser vigiado por docentes dos outros níveis de ensino. O que, além de tudo, obriga a que milhares de estudantes dos outros níveis de ensino percam dois dias de aulas neste final de ano letivo.

Estas provas eliminam o 3.º período: quando regressam das férias da Páscoa, os alunos iniciam uma espécie de treino intensivo para as provas e, quando finalmente as fazem, sentem-se de férias, já é impossível retomar a atividade de forma natural.

Chegou a hora de dizer basta à demagogia e construir uma verdadeira escola pública de qualidade, combatendo a exclusão social com uma atitude integradora dos alunos mais desfavorecidos.

Sobre o/a autor(a)

Professor e historiador.
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