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“A solução para o país é o inverso da austeridade”

No comício do Bloco de Esquerda em Lisboa, Catarina Martins criticou a “ideologia da direita” nas propostas do PS para o emprego e assinalou a clareza de Passos Coelho ao assumir que “Dias Loureiro é dos seus”.
O Bloco organizou uma marcha contra a austeridade na baixa de Lisboa. Foto Paulete Matos.

No discurso deste sábado à tarde, após a marcha contra a austeridade promovida pelo Bloco na baixa lisboeta, Catarina Martins recuperou dois acontecimentos da última semana em que “a direita disse claramente ao que vinha”: primeiro, os elogios de Passos Coelho a Dias Loureiro e a defesa do ex-dirigente do PSD e do BPN em plena Assembleia da República – “É bom que Passos Coelho nos diga que Dias Loureiro é dos seus”– ; em seguida, a escolha do primeiro-ministro para assinalar o Dia da Europa com a Fundação Manuel dos Santos em Florença – “Também é bom que nos diga que quando pensa na Europa está ao lado da Fundação Manuel dos Santos, que está ao lado da fuga dos impostos para a Holanda e de quem acha que o 1º de Maio deve ser o dia de mais garrote sobre os direitos dos trabalhadores”, afirmou Catarina Martins.

O relatório do PS “diz que o problema do emprego está no mercado de trabalho rígido, tomando para si o que tem sido a ideologia e o rumo da direita”, sublinhou a porta-voz do Bloco, lembrando palavras de António Costa antes de ser líder do PS: “Quem pensa como a direita pensa acaba a governar como a direita governa”.

O discurso passou ainda pela avaliação das propostas da “agenda para a década” do Partido Socialista para o emprego e as relações laborais. O relatório do PS “diz que o problema do emprego está no mercado de trabalho rígido, tomando para si o que tem sido a ideologia e o rumo da direita”, sublinhou a porta-voz do Bloco, lembrando palavras de António Costa antes de ser líder do PS: “Quem pensa como a direita pensa acaba a governar como a direita governa”.

“O que está na agenda de António Costa é desregulação do mercado de trabalho, são privatizações e desinvestimento nos serviços públicos”, pelo que não são políticas que ofereçam alguma alternativa à austeridade, acrescentou.

“Não se cria emprego liberalizando despedimentos, não se cria uma economia mais forte privatizando os setores estratégicos, não se constrói solidariedade vendendo o Estado Social ou descapitalizando a Segurança Social”, prosseguiu Catarina Martins, antes de defender que a alternativa à austeridade significa um caminho diferente: “É por dar direitos a quem trabalha que se constrói a dignidade neste país, é por termos o controlo público dos setores estratégicos que podemos ter uma economia que produza e sair da crise, é por termos um Estado Social forte que teremos as condições da igualdade e da democracia, as únicas condições para um futuro digno neste país”.

“Temos a coragem de dizer que é preciso pôr a finança no lugar, é preciso renegociar a dívida pública, que é preciso desobedecer na Europa quando a Europa nos mandar desregular o mercado de trabalho, cortar os serviços públicos ou privatizar os serviços públicos”, garantiu Catarina Martins, referindo-se ainda ao “frenesim do Governo para vender tudo” nos últimos meses do mandato “e assim garantir rendas futuras a alguns grupos de privilegiados”.

“Temos a coragem de dizer que é preciso pôr a finança no lugar, é preciso renegociar a dívida pública, que é preciso desobedecer na Europa quando a Europa nos mandar desregular o mercado de trabalho, cortar os serviços públicos ou privatizar os serviços públicos”, garantiu Catarina Martins, referindo-se ainda ao “frenesim do Governo para vender tudo” nos últimos meses do mandato “e assim garantir rendas futuras a alguns grupos de privilegiados”.

O comício contou também com intervenções do líder parlamentar bloquista Pedro Filipe Soares e da deputada Mariana Mortágua, para além da música com os Farra Fanfarra e o rapper LBC Soldjah. A partir da célebre citação do multimilionário Warren Buffet sobre a luta de classes (“Há uma guerra entre as classes e a minha está a ganhar”), Pedro Filipe Soares falou do estado de guerra que “os de cima estão a mover aos de baixo”, uma guerra que se trava tanto no Mediterrâneo como nos bairros sociais nos arredores de Lisboa, e também com outras armas, como “os Tratados que vão destruindo os países”, desde o de Maastricht ao Orçamental, passando pelo Tratado de Lisboa.

Pedro Filipe Soares criticou ainda o Presidente da República por dizer que “só aceita um governo com uma maioria a favor das políticas de austeridade”. "Pois nós respondemos: Sr. Cavaco, o seu voto vale o mesmo do que o voto de cada um e cada uma de nós, nós não aceitamos regras viciadas nem uma democracia que seja um jogo viciado”.

Pedro Filipe Soares criticou o Presidente da República por dizer que “só aceita um governo com uma maioria a favor das políticas de austeridade”. Pois nós respondemos: “Sr. Cavaco, o seu voto vale o mesmo do que o voto de cada um e cada uma de nós, nós não aceitamos regras viciadas nem uma democracia que seja um jogo viciado”.

Mariana Mortágua descreveu o clima de medo social gerado pela austeridade "que é um assalto”, não apenas porque "suga o país tudo o que tem para pagar divida publica aos bancos", mas também porque "vai ao mais fundo de cada um de nós e retira esperança e a dignidade e coloca medo no seu lugar”. Um “medo que paralisa” e permite todos os cortes e privatizações, ao mesmo tempo que põe as pessoas a “olhar para o lado e para baixo”, em vez de olharem para cima: “para o numero de milionários a aumentar, para os lucros da GALP e da EDP, para as negociatas que se fazem à vontade enquanto olhamos para o chão”.

“Não só não aceitamos menos democracia, como queremos recuperar a que perdemos, e ainda queremos mais. Queremos controlar os setores que nos dizem respeito, a energia, os transportes, os bancos. Queremos leis do trabalho que nos protejam e salários dignos. Queremos um pais que cresça, mas não à custa do medo e do empobrecimento”, concluiu Mariana Mortágua.

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