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Catarina Martins: Quem quer ser alternativa tem de defender a TAP pública

Porta-voz do Bloco de Esquerda exige a suspensão imediata da privatização da TAP e acusa o governo de irresponsabilidade por vender o país ao desbarato. Mas desafia "quem quiser ser consequente” e se apresentar às eleições com uma proposta alternativa “tem de ser capaz de dizer que a TAP vai ser pública".
Catarina Martins visitou a Ovibeja. Foto de Catarina Oliveira
Catarina Martins visitou a Ovibeja. Foto de Catarina Oliveira

Catarina Martins disse este domingo que "quem quiser ser consequente e se apresente às próximas eleições legislativas com uma proposta alternativa à deste governo tem de ser capaz de dizer que a TAP vai ser pública".

A porta-voz do Bloco de Esquerda acusou o governo de "irresponsabilidade" por estar "a tentar vender todo o país ao desbarato", a poucos meses do fim do mandato, exigindo que pare já a privatização da TAP.

Se a TAP não pode parar, também não pode ser privatizada

A deputada, que falou aos jornalistas durante uma visita à feira Ovibeja observou que, a propósito da greve dos pilotos, "a posição do governo tem sido dizer que esta greve é muito prejudicial, porque prejudica a economia", ou seja, "a TAP é de tal forma importante ao país que não pode de maneira nenhuma parar, não pode de maneira nenhuma ficar refém de uma lógica que não seja servir o país e a sua economia".

Mas, nesse caso, argumentou, “se é verdade que a TAP não pode ficar refém dos interesses de um grupo, mais verdade é ainda que não pode ficar refém de um qualquer investidor estrangeiro que a venha comprar". Nesse sentido, disse, "ninguém compreende que a TAP, uma companhia de bandeira e a maior empresa exportadora do país", possa "ficar refém de um interesse qualquer privado", pois com a privatização da TAP fica posto em causa o que "é essencial para a nossa economia, a maior empresa exportadora nacional, a que faz a nossa ligação ao mundo, às comunidades imigrantes".

Catarina Martins disse ainda que "não é novidade para ninguém que o Bloco de Esquerda, sendo um defensor do direito à greve de todos os trabalhadores, não concorda com esta greve

Catarina Martins disse ainda que "não é novidade para ninguém que o Bloco de Esquerda, sendo um defensor do direito à greve de todos os trabalhadores, não concorda com esta greve, porque o que os pilotos querem é garantir que ficam com uma parte de uma empresa privatizada".

Agricultura estagnada

Catarina Martins aproveitou a visita a uma feira agropecuária para dizer que, nos últimos anos, a agricultura portuguesa "ficou completamente estagnada", ou seja, não aumentou o seu peso na riqueza nacional e hoje emprega menos gente.

No Alentejo, "ouvimos falar muito do Alqueva e do que foi conseguido para o regadio, mas o projeto, que é um investimento importante, só chega a 8% dos terrenos e temos depois toda a agricultura de sequeiro a que dar resposta no Alentejo e que tem sido completamente esquecida".

A porta-voz do Bloco lembrou, por outro lado, que no Alqueva mais de metade do investimento "é espanhol e, portanto, sai muito depressa do país", defendendo que é preciso garantir que os fundos comunitários para a agricultura em Portugal "chegam a todos os produtores", porque têm "ficado só nos grandes produtores, os pequenos não vêm praticamente os fundos".

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