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Presidente alemão defende as reparações de guerra à Grécia

Joachim Gauck, numa entrevista publicada sábado no Sueddeutsche Zeitung, diz-se favorável às pretensões de Atenas e afirma que considerar o pagamento de reparações é “a coisa certa a fazer para um país consciente da sua história”. Tanto a chanceler Merkel quanto o líder social-democrata e ministro da Economia, Sigmar Gabriel, se opõem frontalmente.
Joachim Gauck recorda que as tropas alemãs deixaram para trás um rasto de destruição na Europa. Foto de Sebastian Hillig.
Joachim Gauck recorda que as tropas alemãs deixaram para trás um rasto de destruição na Europa. Foto de Sebastian Hillig.

O presidente da Alemanha manifestou-se favorável ao pedido da Grécia de receber reparações de guerra pelos prejuízos financeiros causados pela ocupação Nazi durante a Segunda Guerra Mundial.

O governo de Atenas tem insistido na justeza das indemnizações pedidas, até porque os ocupantes nazis forçaram o Banco da Grécia a “entregar” à Alemanha um empréstimo forçado, que nunca foi devolvido. Isto para além dos prejuízos materiais causados pelos ocupantes.

Numa entrevista dada sábado ao jornal Sueddeutsche Zeitung, Joachim Gauck, que tem poderes meramente cerimoniais no sistema constitucional germânico, contraria a recusa já manifestada por Berlim às pretensões do governo grego de Alexis Tsipras.

Na entrevista, o presidente alemão considera que o governo de Angela Merkel deveria ter em conta as responsabilidades históricas do país perante a Grécia. “Não somos apenas um povo que vive nos dias de hoje, somos também os descendentes daqueles que deixaram para trás um rasto de destruição na Europa” durante o segundo grande conflito mundial, entre 1939 e 1945, “na Grécia, entre outros locais”, disse Joachim Gauck. “A coisa certa a fazer”, acrescentou, “para um país consciente da sua história, é a de considerar que possibilidades haverá para pagar reparações” de guerra.

Grécia calcula em 278.700 milhões de euros

Há cerca de um mês, o vice-ministro das Finanças grego Dimitris Mardas avançou como valor calculado da dívida da Alemanha à Grécia de 278.700 milhões de euros.

Esse valor inclui o pagamento do empréstimo forçado de 10.300 milhões que os nazis levaram do Banco da Grécia.

Um dia depois, o social-democrata Sigmar Gabriel rejeitou o pedido e o cálculo , considerando-os “muito francamente estúpidos”, acusando Atenas de querer “espremer” algum dinheiro dos seus parceiros da zona euro.

Uma acusação francamente grosseira para quem governa o país que ocupou a Grécia e que esvaziou o Banco Central grego quando saiu de lá.  

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