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Brasil: Polícia do Paraná massacra protesto de professores

Balas de borracha, gás lacrimogéneo, canhões de água, cães pitbull, a Polícia Militar do governador Beto Richa (PSDB) não poupou o arsenal repressivo para atacar o protesto dos professores contra uma lei que prejudica as suas reformas. Imagens da violência espalham-se pelas redes sociais e furam o muro de silêncio dos média.
Imagens da violência espalharam-se pelas redes sociais
Imagens da violência espalharam-se pelas redes sociais

A Ordem dos Advogados do Brasil considerou “um verdadeiro massacre” a atuação da polícia militar do Estado do Paraná contra um protesto pacífico dos professores, nesta quarta-feira, no centro da capital, Curitiba.

Os professores, em greve desde o dia 27, contestam um projeto de lei que introduz alterações na Segurança Social do Estado, a ParanaPrevidência, transferindo a responsabilidade pelo pagamento das pensões de cerca de 33 mil reformados de mais de 73 anos, que até agora era exclusivamente do Estado, para um fundo que é financiado pelas contribuições dos funcionários estaduais. O Estado pretende economizar, assim, 125 milhões de reais mensalmente, mas os funcionários alegam que a decisão irá comprometer o equilíbrio do fundo e, portanto, o futuro das reformas.

Uma das mais violentas repressões

A polícia carregou sobre os manifestantes quando foi anunciado pelo sistema de som que os deputados estaduais iriam votar a lei. O governador Beto Richa, do PSDB, conseguira uma ordem judicial para impedir que os professores acompanhassem a votação das galerias da Assembleia. O que se seguiu foi uma das mais violentas repressões contra manifestantes praticada no Brasil nos últimos tempos.

A polícia não poupou o seu arsenal repressivo. Usou balas de borracha, gás lacrimogéneo, canhões de água, cães pitbull indiscriminadamente contra professores, transeuntes e jornalistas. Dois operadores de câmara de canais de TV ficaram feridos, um deles por mordidas de cão. O operador teve a presença de espírito de filmar o cão a morder a própria perna, e as imagens estão a correr a Internet e impressionam. A força de uma mordida deste cão é de 200 quilos. Mais de 200 pessoas ficaram feridas, muitas de balas de borracha e de estilhaços de bombas de gás. Entre as vítimas há também idosos, crianças e deficientes. Uma senhora que se apoiava nas grades do prédio da Assembleia foi alvejada à queima-roupa por um disparo de bala de borracha no meio das costas enquanto a polícia avançava contra os manifestantes.

Ambulâncias tiveram dificuldade de se aproximar para socorrer os feridos, devido ao cordão feito pela tropa de choque para isolar o local.

“Parece uma praça de guerra”, publicou no Twitter o prefeito (presidente da câmara) de Curitiba, cujo gabinete tem vista para a praça onde decorria a manifestação. Funcionários da prefeitura tiveram de abandonar o seu local de trabalho para escapar à nuvem de gás lacrimogéneo. Os pais das crianças de uma creche próxima foram chamados para recolher os filhos, já que o gás tornou impossível a sua permanência.

Ambulâncias tiveram dificuldade de se aproximar para socorrer os feridos, devido ao cordão feito pela tropa de choque para isolar o local.

Há informações de que 17 polícias (segundo o UOL) ou 50 (segundo o Paraná Portal) se recusaram a atirar bombas de gás ou disparar balas de borracha contra os manifestantes e terão sido detidos.

'Black blocks' armados de giz e avental

O governador Beto Richa justificou a atuação da polícia dizendo que esta tinha reagido a provocações de 'black block' infiltrados e que tiveram de defender-se. “São 'black blocks' armados de giz e avental”, ironizou um deputado de oposição ao governo estadual, que é do PSDB.

Em fevereiro, Richa já tinha tentado aprovar as alterações na ParanaPrevidência, mas foi obrigado a recuar após uma manifestação de mais de 50 mil funcionários estaduais pelas ruas de Curitiba. No dia votação, o prédio da Assembleia foi ocupado por mais de 1.500 manifestantes, obrigando os deputados a abandonarem o plenário para se reunirem no restaurante da Casa. Na altura, Richa recuou e retirou o projeto de discussão. Mas agora voltou à carga, e o projeto foi aprovado numa sessão que durou cinco horas, sem interrupção, numa Assembleia Legislativa cercada pela polícia.

Onda de greves de professores

O Brasil vive neste momento uma onda grevista envolvendo professores estaduais: em São Paulo, Pernambuco, Santa Catarina, Paraíba, Pará e Minas Gerais. A greve de São Paulo completa 50 dias neste 1º de Maio e as de Santa Catarina e Pará já duram há mais de 30 dias. De uma forma geral, têm sido ignoradas pelos média, destino que provavelmente teriam as notícias das manifestações de Curitiba. Mas as imagens da violência desta quarta-feira espalharam-se instantaneamente pelas redes sociais e romperam o muro de silêncio.

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