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Pelo direito à esperança

Prometem mais do mesmo. PSD e CDS juntinhos num casamento de conveniência. Responderemos com a voz do povo. Começaremos já no dia 1 de Maio. Pelo direito ao trabalho. Pelo direito à esperança.

Aparentava vinte e tal anos, talvez trinta. Foi com o desalento estampado no rosto e a raiva contida na voz que respondeu à pergunta de uma das mulheres que a acompanhava “Para quê? Para sofrerem? Para passarem uma vida inteira a trabalhar e mesmo assim contar os tostões todos os meses como eu faço? Não tenho contrato, não posso comprar uma casa nem sequer um carro! O que ganho não chega para as despesas, quase não chega para comer quanto mais para filhos! Vou ter filhos para quê?”

Recentemente, o governo PSD-CDS, num assomo de preocupação com as baixas taxas de natalidade em Portugal apresentou um pacote de propostas avulsas de - dizem eles - apoio e incentivo à natalidade. Uma delas prevê a possibilidade de pais e avós, na função pública, trabalharem a meio tempo, recebendo 60 por cento do ordenado. Só quem vive enredado numa teia de interesses capitalistas pode ter a falta de respeito para propor a quem, já pouco ou nada tem, uma meia jornada de trabalho e mais uma descida no salário

E é esta a realidade. É esta a vida concreta das pessoas que Passos Coelho e Paulo Portas teimam em desprezar. Já ninguém acredita que os move a ignorância. Só o desprezo cru que sentem pelo povo, trabalhadores, pais, mães, idosos, jovens e crianças pode explicar o impudor com que convidam os jovens qualificados a emigrar, acusam os portugueses de viver acima das suas possibilidades, votam os trabalhadores ao empobrecimento a todo o custo, cortam apoios, salários e pensões, destroem o Serviço Nacional de Saúde e desqualificam a Escola Pública.

Só a frieza perante as suas dificuldades das pessoas, a luta constante para pagar a renda, a água, a luz e o gás, os sacrifícios para por os filhos a estudar, as vidas inteiras de trabalho que nunca chegam para vencer a pobreza, só o desdenho por cada ruga, cada calo, cada sonho, cada aspiração podem explicar a arrogância com que agora pedem mais filhos aos portugueses ao mesmo tempo que lhes exigem cada vez mais sacrifícios e mais miséria.

Recentemente, o governo PSD-CDS, num assomo de preocupação com as baixas taxas de natalidade em Portugal apresentou um pacote de propostas avulsas de - dizem eles - apoio e incentivo à natalidade. Uma delas prevê a possibilidade de pais e avós, na função pública, trabalharem a meio tempo, recebendo 60 por cento do ordenado.

Só quem vive enredado numa teia de interesses capitalistas pode ter a falta de respeito para propor a quem, já pouco ou nada tem, uma meia jornada de trabalho e mais uma descida no salário. Tudo isto depois de terem aumentado o horário de trabalho e diminuído os salários.

Não parece difícil perceber que o que faz realmente nascer crianças é a estabilidade, o emprego com direitos, o salário digno, a certeza da educação e saúde para todos, o apoio à primeira infância, a vida com condições, a esperança num futuro melhor. Só não o compreende quem põe os interesses capitalistas à frente da justiça e da dignidade social.

Prometem mais do mesmo. PSD e CDS juntinhos num casamento de conveniência. Responderemos com a voz do povo. Começaremos já no dia 1 de Maio. Pelo direito ao trabalho. Pelo direito à esperança.

Sobre o/a autor(a)

Feminista e ativista. Socióloga.
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