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“Foram encerrados alguns milhares de camas hospitalares nos últimos anos”, avança Bastonário

O Bastonário da Ordem dos Médicos destacou “o défice crónico que se agravou nos últimos anos pela redução do número de camas" mas também pelas "consequências sociais da crise”. Segundo lembrou José Manuel Silva, em Portugal há 3,4 camas hospitalares por mil habitantes, enquanto a média da comunidade europeia é de 5,2 camas.
Foto de Paulete Matos.

“Já faltavam camas hospitalares ainda antes do inverno, sendo que as notícias de congestionamentos e de internamentos em macas em alguns hospitais já eram uma realidade”, avançou o Bastonário da Ordem dos Médicos em declarações à Antena 1.

Segundo lembrou José Manuel Silva, “foram encerrados alguns milhares de camas nos últimos anos”. “Não foi só este governo, o anterior também já tinha encerrado camas hospitalares de agudos”, acrescentou, referindo que, em Portugal, há 3,4 camas hospitalares por mil habitantes, enquanto a média da comunidade europeia é de 5,2 camas e a Alemanha tem mais de 8 camas hospitalares por cada mil habitantes.

O Bastonário da Ordem dos Médicos frisou ainda que “o défice crónico de camas hospitalares se agravou nos últimos anos não só pela redução do número de camas mas também pelas inevitáveis consequências sociais da crise”.

Nas suas declarações, José Manuel Silva assinalou também a falta de apoios domiciliários, a falta de recursos nas unidades de cuidados de saúde continuados e nos lares, a dificuldade de acesso aos médicos nos cuidados de saúde primários e, num panorama de empobrecimento da população, a incapacidade dos doentes crónicos de evitarem a agudização da sua situação de saúde de base.

Se os hospitais e as administrações regionais de saúde tivessem recursos suficientes manteriam as camas abertas, mas não têm, por definição da estratégia política e financeira do Ministério da Saúde, que asfixia financeiramente os hospitais”

Questionado sobre o facto de as camas para internamento que foram abertas no pico da gripe estarem a ser encerradas em vários hospitais e sobre as declarações do secretário de Estado adjunto do Ministro da Saúde, que afirmou que são os hospitais e as Administrações Regionais de Saúde que decidem se mantêm ou não essas camas, o Bastonário da Ordem dos Médicos esclareceu que não há meios para as manter e que “não é sério fazer uma afirmação dessas”.

“Foram abertas mais camas mas não foram adquiridos mais recursos humanos definitivos. Essas camas foram abertas à custa do esforço suplementar dos profissionais de saúde”, afirmou José Manuel Silva, defendendo que, “tendo em conta o número já insuficiente de recursos humanos que existem atualmente nos hospitais”, não seria possível manter a funcionar esse número suplementar de camas sem a contratação de mais médicos, enfermeiros e assistentes técnicos e operacionais.

Se os hospitais e as administrações regionais de saúde tivessem recursos suficientes manteriam as camas abertas, mas não têm, por definição da estratégia política e financeira do Ministério da Saúde, que asfixia financeiramente os hospitais”, frisou.

Os hospitais “não têm meios, porque não são autorizados pela tutela a tê-los, porque quem decide o financiamento dos hospitais é a tutela”, reforçou.

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