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Três propostas do PS sem D

Os atuais governantes aumentaram os níveis de pobreza até limites que muitas das atuais gerações nunca viram. O PS, com esta amostra de programa, vem na mesma linha, só que em vez de vir de TGV vem de comboio a vapor, mas a estação final é a mesma.

A proposta do Partido Socialista de aumentar a idade da reforma em função de crise de crescimento é o mínimo idiota.

Como trabalhador, e conhecedor do mercado de trabalho, posso tentar uma análise breve a esta questão.

Diz então o prospeto de programa do PS sem D, que se as coisas correrem mal em termos de crescimento, há que manter os mais velhos no emprego por mais tempo e os mais novos (por consequência) no desemprego, pois a maioria destes não cobra qualquer verba ao Estado.

Esta posição, é no fundo a continuação da política do PS com D que levou a que 35% dos desempregados sejam jovens, muitos deles licenciados e parte dos restantes com o curso secundário completo.

As empresas industriais (as principais exportadoras), não vão aceitar esta política de bom grado, neste momento, muitas já estão com graves problemas de produtividade fruto do envelhecimento e baixa qualificação dos seus trabalhadores, o que só se agrava com o prolongamento da idade ativa dos mesmos e fruto de falta de crescimento com a consequentemente impossibilidade de admissão de trabalhadores mais jovens, energicamente mais ativos e mais abertos à formação.

A redução da TSU, no fundo, é a velha tentativa dos PS com e sem D de encaminhar os trabalhadores para os fundos de pensões privados, com a propaganda de que se querem no futuro uma reforma minimamente aceitável, têm que recorrer a este tipo de empresas, clientes ou propriedade de muitos dos tubarões da política, deitando por terra todos os argumentos da ultima reforma Vieira da Silva, que garantia a sustentabilidade da segurança social por algumas dezenas de anos (seria lirismo?).

Por fim, e não menos grave, vem o velho sonho de liberalização dos despedimentos só não concretizado por imposição da Constituição da Republica. Este sonho, vem embrulhado num amargo rebuçado que é a proposta mais que justa (de que por principio deixa de haver contratos a prazo), mas em contrapartida, qualquer pretenso problema económico pode levar ao imediato despedimento dos trabalhadores (gestão de merceeiro). Renunciam aos valores compensatórios previstos no Código de Trabalho Vieira da Silva, Lei 7/2009 artº.366 alínea 1, (30 dias de compensação por cada ano de trabalho) e abraçam a Lei da Troika adoçando-a com o passar de 12 para 18 dias as compensações por despedimento (que revolucionários),

Os atuais governantes, destruíram o país, aumentaram os níveis de pobreza até limites que muitas das atuais gerações nunca viram, roubaram-nos milhões que puseram nos cofres dos seus futuros patrões (logo que saiam do governo vejam para onde vão trabalhar) e continuaram apesar de tudo isto a aumentar a dívida.

O PS, com esta amostra de programa, vem na mesma linha, só que em vez de vir de TGV vem de comboio a vapor, mas a estação final é a mesma, fica na terra da miséria e chama-se austeridade.

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda. Coordenador da CT da Volkswagen AutoEuropa. Deputado municipal no concelho da Moita.
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