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"Privatizar é roubar!", dizem trabalhadores dos transportes

Centenas de trabalhadores da Carris, Metro de Lisboa, Transtejo e Soflusa manifestaram-se esta quarta-feira em Lisboa.
Manifestação dos trabalhadores dos transportes públicos em Lisboa.

O Governo está a fazer tudo para conseguir fechar as privatizações e concessões das empresas de transporte público de Lisboa até ao fim do mandato, mas os trabalhadores resistem e manifestaram a sua oposição nas ruas da capital esta quarta-feira.

"Temos aqui trabalhadores da Carris, Metro, Soflusa e Transtejo, mas temos aqui também um movimento de utentes, com largas centenas de pessoas, que estão aqui contra a entrega da gestão destas empresas públicas aos privados, para lhes dar dinheiro à custa dos direitos dos trabalhadores e dos serviços prestados à população", afirmou o líder da CGTP, presente no protesto. A deputada bloquista Mariana Mortágua também participou na manifestação contra a concessão a privados das empresas de transportes públicos que servem os utentes em Lisboa.

Sindicalistas exigem que Pires de Lima dê a cara

À hora em que arrancava a manifestação na baixa lisboeta, um grupo de sindicalistas da Fectrans entrou no Ministério da Economia, exigindo uma reunião com o ministro para discutir a situação dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa. O pedido de reunião foi entregue há mais de dez meses mas nunca teve resposta de Pires de Lima.

"Queremos ser ouvidos pelo sr. Ministro, porque o caderno de encargos nos levanta um conjunto de dúvidas e, como achamos que estamos a entregar um produto rentável e estratégico para a economia do país exigimos respostas", afirmou à agência Lusa Paulo Machado, da Fectrans.

Comissão de Trabalhadores: "Concessão do Metro perpetua a redução da oferta e os aumentos dos preços"

A Comissão de Trabalhadores do Metro de Lisboa analisou o caderno de encargos da concessão e conclui que se trata de "um processo lesivo dos interesses dos trabalhadores do Metropolitano", ao anular o direito à contratação coletiva, precarizar a relação laboral e consagrar "o roubo dos complementos de reforma".

Os trabalhadores consideram que a privatização é lesiva também para os interesses do Estado, que assumirá custos superiores aos da gestão pública, e os interesses da própria empresa, que seria desmembrada em três.

A ameaça à segurança do transporte do Metropolitano e o afastamento das autarquias deste processo são outros dois pontos negativos apontados pelos trabalhadores, que preveem também que o lucro das concessionárias vai aumentar através dos "alçapões e armadilhas" do contrato, que permitem que seja renegociado em permanência.

"Estamos perante um processo que só serve dois interesses: o dos grupos económicos privados e
a agenda ideológica suportada por este governo", conclui o estudo da CT.

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