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“Se há austeridade para os pensionistas há mais austeridade para a população”

Catarina Martins acusou o Governo de ver as “as pessoas mais velhas como um fardo” e de “não as tratar com a dignidade que merecem”. A porta-voz do Bloco apontou também que para defender políticas de crescimento e emprego é preciso exigir a reestruturação da dívida pública e desvincular o nosso país do Tratado Orçamental.
"Ninguém vive melhor se os seus pais ou avós viverem pior", afirmou Catarina Martins - Foto de Paulete Matos

Catarina Martins visitou nesta terça-feira, 21 de abril de 2015, a Universidade Sénior do Seixal, acompanhada pela deputada Mariana Aiveca, pelo vereador eleito pelo Bloco para a câmara do Seixal, Luís Cordeiro, por Luísa Cabral e Joana Mortágua.

À comunicação social, Catarina Martins disse que a visita teve um duplo objetivo: “debater as medidas do governo e as propostas que faz agora” e “conhecer também o trabalho que é aqui feito e o trabalho que as universidades seniores fazem”, que “não são respostas de mero assistencialismo, são respostas de envelhecimento ativo”.

A porta-voz do Bloco criticou: "É inaceitável que o Governo diga que há alívio na austeridade, porque vai cortar 600 milhões de euros nas pensões. Os três milhões de pessoas em Portugal que têm mais de 60 anos são tão cidadãos como todos os outros, e, portanto, se há mais austeridade para os pensionistas, há mais austeridade para a população".

"Por um lado, porque são as [gerações mais velhas] que têm sofrido mais cortes por parte do Governo: cortes nas pensões, para as quais descontaram toda uma vida - com a expectativa, legítima, de terem depois uma pensão determinada, conforme os seus descontos -, cortes no acesso à saúde, cortes no acesso aos transportes, enfim, todo o tipo de cortes, que fazem com que seja difícil chegar ao fim do mês", denunciou a deputada, segundo a Lusa.

E acrescentou: "Mas também têm sido penalizadas uma segunda vez, porque, num país em que não há expectativas de vida às gerações mais novas, as gerações mais velhas, que já suportam estes cortes, são as que estão a ajudar os filhos e os netos".

A porta-voz do Bloco apontou que “não é aceitável que se venha dar como moeda de troca cortar nos pais ou nos avós, dizendo que assim se corta menos nos filhos ou nos netos. Não só é mentira como é uma vergonha indescritível, que um Governo queira pôr gerações contra gerações. Ninguém vive melhor se os seus pais ou avós viverem pior".

Questionada por um jornalista sobre as posições do Partido Socialista, Catarina Martins salientou que “não há nenhum programa possível para acabar com a austeridade sem assumir dois elementos essenciais”: a reestruturação da dívida pública e a desvinculação de Portugal do tratado orçamental.

A porta-voz do Bloco sublinhou então que “um governo que queira defender o país e que queira ser alternativa à austeridade terá de ter a coragem de dizer na União Europeia: em Portugal, é necessária uma reestruturação da dívida e Portugal não pode estar vinculado a políticas de austeridade eterna como o tratado orçamental.” “O que o PS não pode fazer é dizer que não quer austeridade e ao mesmo tempo ir afirmando que não fará nada fora do quadro das imposições de austeridade da União Europeia”, concluiu Catarina Martins.

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