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Facebook reconhece que espiou internautas sem conta na rede social

Um relatório da Comissão para a Proteção da Privacidade da Bélgica revelou que o Facebook obteve informação de como navegam em qualquer site – alheio ao Facebook– outros internautas que não têm perfil criado na rede social. Por Manuel Moreno.
Foto de maria elena/flickr

Como é que o Facebook utiliza os dados dos seus utentes? Talvez esta seja uma das questões que mais preocupa as pessoas que têm conta na rede social de Mark Zuckerberg. A companhia explica-o claramente nas suas Condições de Uso e na Política de Privacidade e de Cookies, documentos que põe a disposição de todos os seus membros e a que estes dão o seu consentimento quando criam um perfil.

O problema é que a maior parte dos utentes prefere aceitar as condições destes textos rapidamente, sem as ler, para poder utilizar quanto antes a rede social. Muitos nem sequer sabem que para abrir o perfil estão a aceitar um ‘contrato’ com a companhia, como fazem com qualquer empresa cujos serviços usam.

Este desconhecimento provoca, por vezes, a raiva de alguns utentes da rede social, que decidem abandonar o serviço quando conhecem como a companhia gere os dados dos seus membros. Outros internautas, menos, já que o Facebook é usado por mais de 80% dos indivíduos que navegam habitualmente na Internet, preferem manter-se à margem do serviço.

Entre outras ações, a rede social rastreia o percurso que os seus utentes realizam na Internet – isto é, obtém informação de que páginas visitam, com quais interagem… – graças à utilização de cookies, que são pequenos arquivos que qualquer página coloca no computador dos seus utentes para seguir o seu rasto e hábitos de utilização.

No caso do Facebook, quando um utente dá um ‘Gosto’ em qualquer página da Internet, ou deixa um comentário nela utilizando o seu perfil da rede social, está a deixar uma marca de como utiliza a Internet. Esses dados são utilizados pela rede social para oferecer-lhe promoções relevantes (isto é, publicidade) ou outro tipo de serviços.

Depois da divulgação do relatório do organismo belga, o Facebook reconheceu que teve acesso ‘por erro’ aos dados de páginas que contêm plugins sociais como o botão de ‘Gosto’ e outros serviços

No entanto, o Facebook foi mais além. Segundo revelou um relatório da Comissão para a Proteção da Privacidade da Bélgica, o Facebook não só estaria ‘a rastrear’ a utilização que os seus membros da Internet fazem, mas também esteve a obter informação de como navegam em qualquer site – alheio ao Facebook– outros internautas que não têm perfil criado na rede social.

Isto é, mesmo que não tenhas conta no Facebook podes ter sido ‘espiado’ pela companhia de Mark Zuckerberg, o que viola claramente as diretrizes da União Europeia em matéria de proteção de dados.

Depois da divulgação do relatório do organismo belga, o Facebook reconheceu que teve acesso ‘por erro’ aos dados de páginas que contêm plugins sociais como o botão de ‘Gosto’ e outros serviços. “Encontrámos uma falha que pode ter enviado cookies a algumas pessoas quando estas não estavam no Facebook. Não era nossa intenção. Está a trabalhar-se para corrigir [essa situação]”, teve que admitir Richard Allan, vice-presidente de assuntos públicos da rede social para a Europa, através de um comunicado publicado, em inglês, na rede social.

“Não colocamos cookies nos navegadores das pessoas que visitaram páginas com plugins sociais mas que nunca entraram no Facebook.com para se registar. Os investigadores [da Comissão para a Proteção da Privacidade da Bélgica] identificaram alguns exemplos em que pôde ter ocorrido e começámos a abordar estes casos involuntários assim que soubemos deles”, assinala.

As explicações da companhia não convencem muitos utentes, que não entendem como puderam ser alojados cookies do Facebook no computador de internautas que não tinham aberto conta na rede social, ainda que estivessem a visitar páginas que sim incluíssem os seus plugins

No comunicado, o Facebook advoga pela transparência. Assinala que não esconde em nenhum momento a política de utilização de cookies e que, de facto, graças a elas pode mostrar anúncios relevantes aos utentes. “Usar o Facebook é grátis e é-o por que mostramos anúncios que consideramos interessantes para os utentes, segundo as suas preferências”, aponta Allan.

As explicações da companhia não convencem muitos utentes, que não entendem como puderam ser alojados cookies do Facebook no computador de internautas que não tinham aberto conta na rede social, ainda que estivessem a visitar páginas que sim incluíssem os seus plugins. O site Cuarto Poder pôs-se em contacto com a rede social, que remeteu para o comunicado oficial publicado.

A razão da investigação levada a cabo pela Comissão para a Proteção da Privacidade da Bélgica, outras autoridades nacionais de proteção de dados da União Europeia começaram a investigar o uso que o Facebook faz dos dados dos seus utentes (e de quem não o é).

Em Espanha, a própria Agência Espanhola de Proteção de Dados desenvolveu já ações prévias ao início de uma investigação oficial que levará a cabo em cooperação com outros organismos europeus e que terá como objetivo determinar se o Facebook está a realizar um uso não apropriado dos dados dos membros espanhóis da rede social.

Artigo de Manuel Moreno, publicado em cuartopoder.es. Tradução de Carlos Santos para esquerda.net

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