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“As pessoas e o planeta acima dos lucros”

No passado sábado, decorreram manifestações contra o Tratado Tratado Transatlântico, TTIP, em mais de 600 cidades de todo o mundo. Também em Portugal, no Largo do Carmo, em Lisboa, dezenas de pessoas juntaram-se ao protesto mundial. Por Ricardo Cabral Fernandes.
Foto de Luis Filipe Pires.

A globalização neoliberal veio diminuir o poder dos estados e aumentar o poder das multinacionais em detrimento dos cidadãos e a favor das multinacionais. É neste contexto que estão a ser negociados os tratados de livre comércio, o TTIP, CETA, TISA e TTP, entre os Estados Unidos da América (EUA) com o resto do mundo e que aprofundam esta realidade. Tratados que colocam em causa a democracia, os direitos mais elementares dos cidadãos e a sustentabilidade do planeta em prol dos lucros das multinacionais. Em suma, a soberania dos povos em decidirem os seus futuros. Os tratados de livre comércio, que estão a ser negociados e redigidos pelas costas dos cidadãos e de qualquer processo que se queira democrático, estão a despoletar um forte movimento de contestação com o objectivo de travarem as negociações e, em última instância, a ratificação destes tratados. A nível europeu contesta-se o Transatlantic Trade and Investment Partnership (TTIP) e o Comprehensive Trade and Economic Agreement (CETA) com os Estados Unidos da América (EUA) e o Canadá, respectivamente.

É neste âmbito que se realizou no passado dia 18 de Abril, sábado, a Campanha Global de Acção com protestos por todo o mundo, da América do Norte até à Ásia-Pacífico com o lema “As pessoas e o planeta acima do lucros”. Mais de 600 cidades acolheram protestos contra os tratados de livre comércio, estando entre elas Quito (Equador), Washington (EUA), Bristol (Reino Unido), Paris (França), Dublin (Irlanda), Berlim (Alemanha), Amesterdão (Holanda), Meycauayan (Filipinas), Jacarta (Indonésia), entre outras.

Em Portugal, ocorreu uma concentração no Largo do Carmo, Lisboa, pelas 15 horas, organizado pela Plataforma Não ao TTIP. A concentração contou com as intervenções de Leonor Machado pela Plataforma, de Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda, de Miguel Tiago, deputado do Partido Comunista Português, de Luís Bernardo, jornalista do Le Monde Diplomatique, de João Vieira, dirigente da Confederação Nacional de Agricultura, de Augusto Praça, dirigente da CGTP e de Nuno Belchior, membro do Projecto 270. Após as intervenções tomaram a palavra vários cidadãos, nacionais e internacionais, que expressaram a sua preocupação e descontentamento pelo que estes tratados representam.

Foto de Luis Filipe Pires.

Em declarações à Lusa, Leonor Duarte, membro da Plataforma, declarou que “as negociações decorrem no maior secretismo e não podemos aceitar isso”, tendo ainda sublinhado que caso os tratados sejam implementados na Europa, mas também no resto do mundo, a alimentação, o ambiente, a saúde e o emprego, entre outros sectores, serão fortemente atacados na sua relação com os cidadãos em proveito dos interesses lucrativos das multinacionais.

Apesar da existência das negociações e contornos destes tratados serem desconhecidos dos povos, é patente a noção de que se apresentam como as maiores ameaças ao seu bem-estar social e económico. Estes tratados representam o aprofundar da globalização neoliberal com todas as consequências que pressupõem: diminuição dos direitos dos povos e aumento do lucros das multinacionais. A nível europeu constituem-se como os maiores ataques neoliberais desde as troikas e o Tratado Orçamental.

A Plataforma Não ao TTIP, pela voz de Leonor Machado, apelou à criação de uma frente comum entre todos os partidos, movimentos sociais, associações e sindicatos que se revejam na luta contra estes tratados que acentuarão o capitalismo selvagem. A ameaça demonstram ser está bem presente na amplitude de sectores que englobam, realçando o facto da luta apenas poder triunfar se for internacional e alargada nos planos nacionais.

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Sobre o/a autor(a)

Mestrando em Ciência Política
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