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“Para compensar borlas ao capital, Governo aumentou em 30% o IRS”

Catarina Martins criticou Passos Coelho pelas descidas dos impostos sobre os lucros das grandes empresas e recordou que os custos dos trabalho em Portugal são menos de metade que em Espanha. A porta-voz bloquista quer “mão pesada” sobre quem “atentar contra direitos das mulheres”.
Catarina Martins e Pedro Filipe Soares numa arruada contra a austeridade em Espinho.

Numa arruada contra a austeridade realizada em Espinho, a porta-voz do Bloco frisou que “o primeiro-ministro tem tentado fazer números sucessivos de propaganda sobre o país”, nomeadamente ao dizer que “é preciso diminuir fiscalidade das empresas e os custos do trabalho”, quando não fez “outra coisa desde que está no Governo”.

“Em relação aos custos do trabalho, não fizeram outra coisa desde que estão no Governo. Neste momento, os custos do trabalho de Portugal são muito menos de metade do que a Espanha”, criticou Catarina Martins.

Pedro Passos Coelho, “já desceu duas vezes os impostos sobre os lucros das grandes empresas e com isso não atraiu nenhum investimento, não criou um posto de trabalho”.

“Para compensar as borlas que deu ao capital, aumentou em 30% o IRS”, esclareceu.

A par disso, acrescenta a porta-voz bloquista, Passos Coelho tem “inventado medidas populistas que não respondem às necessidades das pessoas”, fala “de índices de confiança” e “ataca o Instituto Nacional de Estatística quando este diz algo tão real como que o desemprego está a crescer e o desemprego jovem está em valores estratosféricos no país”.

Em referência a António Costa, Catarina Martins defendeu que “para sair da austeridade e para poder haver investimento, crescimento ou emprego, é preciso ter a coragem de defender o país de cabeça erguida e de ir à luta, também na Europa”.

“António Costa tem um problema de definição. Não se pode dizer, ao mesmo tempo, que não se quer austeridade mas que não se está disposto na Europa a defender o país e a ter uma posição que possa ser de confronto com quem tem imposto austeridade no país. O que Costa diz é algo como 'queremos o fim da austeridade mas só faremos o que Alemanha quiser e nunca deixaremos de dizer que sim às imposições da Alemanha”, afirmou Catarina Martins.

“É preciso dizer que não aceitamos o empobrecimento do país, que queremos dignidade. Dizer que não somos nenhuma colonia alemã, que não vamos fazer o que nos digam, mas que vamos, sim, fazer o que for preciso para que o país saia da crise”.

Bloco quer “mão pesada” para quem “atentar contra direitos das mulheres”

Catarina Martins defendeu alterações legislativas para acabar com os atentados contra a dignidade das mulheres e pediu esclarecimentos ao ministro da Saúde sobre as enfermeiras que tiveram de espremer leite para provarem estar a amamentar.

 “É urgente que o ministro da Saúde esclareça o que aconteceu - em dois hospitais públicos do Porto - e garanta que não se repete. O problema dos hospitais públicos não exige alteração da lei, exige uma alteração de Governo, porque este já deu provas de que, quando chega à saúde e aos direitos do trabalho, não é um Governo capaz e não age de boa-fé”, sublinhou Catarina Martins.

Defendendo que, no setor privado, é necessária uma lei com “mão pesada” sobre quem "atentar contra dignidade das mulheres", a bloquista reagia à notícia avançada pelo jornal Público de que duas enfermeiras, uma do Hospital de Santo António e outra do São João, ambos no Porto, se queixam de terem tido que comprovar às entidades laborais que estavam a amamentar “espremendo leite das mamas à frente a médicos de saúde ocupacional”.

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