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EMEF pública é garantia da segurança na ferrovia

Segurança, qualidade, fiabilidade, postos de trabalho, direitos dos trabalhadores, interesse nacional, nada disso interessa, é a agenda privatizadora do governo PSD/CDS-PP. Por António Gomes.
Foto de Paulete Matos.

A EMEF - Empresa de Manutenção e Equipamento Ferroviário, é a empresa responsável pela manutenção e reparação dos comboios de passageiros e de mercadorias no nosso país. Até 1992 funcionou como “as oficinas da CP”. Nesta data a CP foi retalhada em várias empresas, ficando a EMEF no perímetro do Grupo CP, com capitais públicos a 100%.

Tem nos seus quadros cerca de 1000 trabalhadores distribuídos por vários locais de trabalho - Vila Real Sto. António, Barreiro, Lisboa-Oeiras, Campolide, Stª Apolónia, Entroncamento, Porto-Guifões, Contumil e Mirandela. A maior concentração é no Entroncamento, com cerca de 450 trabalhadores.

Para além de assegurar toda a reparação dos comboios da CP, realiza trabalhos para outros clientes nacionais e internacionais, é uma empresa com capacidade de exportação na área da metalomecânica pesada (vagons) e de serviços técnicos pioneiros na manutenção de veículos ferroviários.

A segurança, qualidade e fiabilidade do material ferroviário é condição primeira para o êxito deste tipo de transporte e é a EMEF que tem dado essa garantia. A experiência, o conhecimento e o domínio técnico destes trabalhos, é assegurado em exclusivo pelos trabalhadores desta empresa, mais ninguém tem capacidade para dar essa garantia. Este conhecimento e a evolução técnica verificada foram construídos com o investimento público ao longo dos mais de 150 anos de ferrovia.

A CP e o governo, quando apregoam melhorias nos resultados económicos e no aumento de passageiros transportados, deveriam lembrar-se desta empresa, a EMEF tem garantido à CP a qualidade e segurança verificada até hoje.

Apesar da ausência de investimento em comboios novos e na manutenção dos atuais (comboios pendulares) a qualidade oferecida tem-se mantido e isso deveria fazer com que o governo considerasse esta empresa como uma empresa estratégica para o país, para a economia, para a mobilidade de milhões de pessoas por ano e para o transporte de mercadorias.

O desinvestimento na ferrovia nas últimas 3 décadas em detrimento da rodovia ditou um conjunto de políticas de consequências desastrosas, na área ambiental, no despovoamento e isolamento de vastas áreas no interior do país, na ligação com a Europa e nas políticas de mobilidade das pessoas, com especial impacto nas áreas metropolitanas.

O fecho de linhas que levou a uma redução de 40% da oferta de transporte trouxe consequências gravosas para a EMEF, desde logo ao nível da mão-de-obra necessária para fazer face às necessidades de manutenção e reparação.

Se não se investir em material circulante nos próximos 4 ou 5 anos, será a rutura total, à exceção do material de tração (máquinas) onde se investiu sem razão aparente, vá-se lá saber porquê, pois são às dezenas as unidades de tração encostadas à espera de apodrecer. No material de transporte de passageiros não há capacidade de oferta, no Norte do País circulam comboios alugados a Espanha, na linha de Cascais suprimem-se muitos comboios porque o material não aguenta mais.

A grande reparação dos pendulares, os comboios que asseguram o serviço “Alfa”, e que seriam certamente uma carteira de trabalho muito significativa para a EMEF, já foi adiada várias vezes, neste momento servirão de moeda de troca no negócio da privatização.

O governo do PSD/CDS aprovou a privatização até 100% desta empresa. Não se conhecem razões justificativas para tal decisão, pelo que só existe uma, razões ideológicas e nada mais, é preciso acabar o programa de privatizações e ai está a direita na sua fúria privatizadora a vender ao desbarato as empresas estratégicas. E do PS não se conhece uma posição clara sobre a matéria.

Segurança, qualidade, fiabilidade, postos de trabalho, direitos dos trabalhadores, interesse nacional, nada disso interessa, é a agenda privatizadora.

Uma política séria para a ferrovia implica necessariamente uma influência direta na gestão da empresa de manutenção e reparação, por parte da transportadora CP, dona dos comboios. Só assim, com uma gestão integrada se dá garantias aos utilizadores (passageiros e mercadorias) de uma oferta de qualidade e atempada, coisa que não fica garantida por nenhum privado, pois salvaguardará em primeiro lugar os seus interesses. Para já não falar das obrigações de serviço público que o transporte na ferrovia deve garantir.

Não será por acaso que o presidente da CP, Manuel Queiró, homem da área do CDS, se pronunciou pela manutenção da EMEF como empresa pública, estratégica para o País.

Os trabalhadores da EMEF não estão disponíveis para abdicar do seu posto de trabalho, dos seus direitos, da sua empresa pública de interesse nacional e isso pode fazer a diferença. A greve realizada no dia 16 de abril foi um passo, outros se seguirão e devem incluir as populações. Esta é uma luta de quem defende a ferrovia como aposta estratégica para a mobilidade e na defesa do meio-ambiente.

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