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"Anúncio de austeridade redobrada é prova do seu fracasso”

Durante o debate quinzenal com o primeiro-ministro, a porta voz do Bloco afirmou que o Governo, “cada vez que faz uma promessa às empresas, faz uma ameaça a quem vive do trabalho”. “Nos bolsos das pessoas, no que conta no respeito pela dignidade de quem trabalhou toda uma vida, o seu executivo só tem uma resposta: cortar”, frisou Catarina Martins.

“Mesmo no quadro irrealista que aqui nos trouxe de, nos próximos quatro anos, reduzir mais o défice do que reduziu nos últimos quatro anos em que impôs tantos sacrifícios, o seu governo prevê que o desemprego se mantenha, até 2019, acima dos 10%. Ou seja, que mesmo com a emigração, mesmo com os estágios, mesmo com quem fica desincentivado vamos ter 10% de desemprego. Isto é assumir o falhanço da sua política”, afirmou Catarina Martins no início da sua intenção durante o debate quinzenal com o primeiro-ministro.

“Aquilo que a senhora ministra das Finanças nos apresentou ontem, aquilo que o senhor primeiro-ministro nos veio dizer hoje é que aquilo que fizeram falhou”

“Aquilo que a senhora ministra das Finanças nos apresentou ontem, aquilo que o senhor primeiro-ministro nos veio dizer hoje é que aquilo que fizeram falhou”, avançou a porta voz do Bloco de Esquerda, sublinhando que “não só as medidas de austeridade vão continuar como ainda por cima é uma austeridade redobrada porque há mais medidas de austeridade”.

Referindo que Passos Coelho chegou ao Parlamento “com essa 'trajetória de crescimento' como gosta de lhe chamar dizendo que quer cortar 600 milhões de euros nas pensões, que é um valor próximo daquele que foi chumbado em 2013 pelo Tribunal Constitucional”, a dirigente bloquista questionou: “Então o país dos cofres cheios, em que é que se distingue do país dos cofres vazios?”

“Nos bolsos das pessoas, no que conta no respeito pela dignidade de quem trabalhou toda uma vida o seu governo só tem uma resposta: cortar”, frisou Catarina Martins.

“E não nos venha dizer que os sacrifícios são para todos: não os foram na hora dos cortes e nem são para todos na hora do 'alívio dos cortes'”

“E não nos venha dizer que os sacrifícios são para todos: não os foram na hora dos cortes e nem são para todos na hora do 'alívio dos cortes'”, acrescentou.

Segundo lembrou a porta voz do Bloco, ontem o Governo “anunciou magnânimo a descida de duas sobretaxas: a sobretaxa que é paga sobre quem trabalha desce 25% mas a sobretaxa que é paga pelas grandes empresas de energia essa desce em 50%”.

“Não vê aqui nenhuma desigualdade na distribuição desses sacrifícios?”, questionou a dirigente bloquista, interrogando ainda Passos Coelho se para o seu Governo, “privilégio é salário”.

“Se há uma reforma que este executivo fez neste país foi a baixa dos salários e a baixa do custo do trabalho”, lamentou Catarina Martins, referindo que, “em Portugal, os custos do trabalho já são menos de metade do que na vizinha Espanha e muito menos de metade do que a média da zona euro”.

“Em Portugal, os custos do trabalho já são menos de metade do que na vizinha Espanha e muito menos de metade do que a média da zona euro”

Sobre a intenção do Governo de baixar a TSU, a porta voz do Bloco frisou que “descer dois pontos percentuais da TSU das empresas, para ser compensado com a criação de emprego, exige a criação de 320 mil novos postos de trabalho”.

“O senhor vai-nos prometer criar esse número de postos de trabalho com esta medida? Ou, de facto, isto só significa o mesmo de sempre: este Governo faz tudo para dar borlas às grandes empresas enquanto faz tudo para cortar os salários em Portugal”, avançou.

“Lembrando que o executivo prometeu uma terceira descida do IRC”, Catarina Martins destacou que “cada vez que fazem uma promessa às empresas, fazem uma ameaça a quem vive do trabalho”.

Durante a sua intervenção, a dirigente bloquista fez referência às declarações do secretário de Estado da Saúde que, perante uma reportagem sobre o Estado da Saúde em Portugal, defendeu que os serviços de urgência funcionam muito bem e que o que vimos foram “pessoas bem instaladas” no serviço de urgência.

“Podem enganar algumas pessoas durante todo o tempo e enganar todas as pessoas durante algum tempo mas o que o senhor primeiro-ministro não pode na Saúde como no país é continuar a enganar toda a gente durante todo o tempo”, rematou Catarina Martins.

Catarina vs. Passos: "Anúncio de austeridade redobrada é prova do seu fracasso"

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