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Tsipras espera que a Europa não siga a via da chantagem

Numa declaração à Reuters, primeiro-ministro da Grécia esclarece quais os pontos de acordo e aqueles sobre os quais se mantém um desacordo de Atenas com as instituições europeias, sublinhando tratar-se de desacordos políticos e não questões técnicas. E afirma-se confiante de que a Europa das tradições democráticas e das Luzes não vai seguir a via da chantagem financeira.
Tsipras: o caminho de uma chantagem financeira brutal e imoral, ou o da resolução das divergências, da estabilidade e do respeito mútuo. Foto Left.gr
Tsipras: o caminho de uma chantagem financeira brutal e imoral, ou o da resolução das divergências, da estabilidade e do respeito mútuo. Foto Left.gr

É a primeira vez que Alexis Tsipras deixa claro quais são as questões em que não há acordo nas negociações entre o seu governo e as instituições europeias: são “quatro pontos de desacordo no campo das relações laborais, do sistema de segurança social, do aumento do IVA e da lógica de desenvolvimento da propriedade pública”.

Desacordos são no campo das relações laborais, do sistema de segurança social, do aumento do IVA e da lógica de desenvolvimento da propriedade pública.

O líder do Syriza esclarece que estas divergências não têm a ver “com uma fraqueza técnica, mas sim com um desacordo político, de que todos tinham consciência à partida”, na medida em que reconhecem “que o compromisso que procuramos respeitará o mandato claro do povo grego tal como foi manifestado nas eleições de janeiro”.

A declaração de Tsipras visa responder às sucessivas declarações catastrofistas e chantagistas de diversas autoridades que têm alimentado a especulação em torno da hecatombe da Grécia, elevando ao máximo as pressões para forçar Atenas a pôr-se de joelhos. A estes, Tsipras responde: “Apesar da cacofonia e das fugas e declarações erráticas da outra parte da negociação nos dias mais recentes, continuo firmemente confiante de que haverá um acordo até ao fim do mês. Porque sei que a Europa aprendeu a viver com as suas divergências, combinar as suas partes e avançar”.

Cacofonia

Nos últimos dias, de facto, tem havido uma cacofonia oriunda “da outra parte da negociação”. No dia 14, o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, afirmava que “uma crise grega não pode ser descartada” e que esse “evento poderá perturbar os mercados financeiros”. No mesmo dia, a imprensa grega citava Poul Thomsen, também do FMI, a dizer que as negociações “não estão a funcionar”, e que Atenas continua a negar acesso a dados para se perceber qual é a real dimensão das necessidades financeiras do país.

Poucos dias antes, o diário finlandês Helsingin Sanomat citava um memorando secreto do Ministério das Finanças finlandês que afirmava que o governo de Helsínquia já estava a preparar-se para a eventualidade da expulsão da Grécia do euro.

O comissário Pierre Moscovici disse que “é tempo de a Grécia 'entregar' as reformas que os credores exigem”

E, nesta quinta-feira, Christine Lagarde descartou a possibilidade de aceitar o adiamento dos pagamentos da Grécia ao FMI, o comissário Pierre Moscovici disse que “é tempo de a Grécia 'entregar' as reformas que os credores exigem”, e Wolfgang Schäuble afirmou que ninguém espera que na reunião do Eurogrupo do final da próxima semana se chegue a algum acordo.

Não à chantagem financeira brutal e imoral

É por isso que Tsipras faz questão de esclarecer que “houve progressos notáveis em relação ao ponto de partida numa série de aspetos relacionados com a melhoria dos sistemas de cobrança de impostos e o reforço da sua autonomia, a luta contra a corrupção, a eficiência da administração, bem como iniciativas fiscais que garantirão o excedente primário adequado para este ano, sem penalizar a maioria da sociedade mas sim distribuindo a carga sobre os que tem uma forte capacidade para pagar impostos”.

Tsipras: Estou convencido de que a Europa das tradições democráticas e do Iluminismo não cederá às vozes extremistas de alguns.

E conclui: “Estou convencido de que a Europa das tradições democráticas e do Iluminismo não cederá às vozes extremistas de alguns, que não escolherá o caminho de uma chantagem financeira brutal e imoral, mas o caminho da resolução das divergências, o caminho da estabilidade e respeito mútuo e, acima de tudo, o caminho da democracia, com benefício para o nosso futuro europeu comum.”

Leia em seguida a nota de Alexis Tsipras na íntegra, com tradução da página do Facebook Apoio ao governo do Syriza:

"O governo grego está a trabalhar afincadamente em cada aspeto individual das negociações, tanto em Bruxelas como em Atenas, com o objetivo de atingir uma solução mutuamente benéfica, um compromisso honrado com os nossos parceiros: um compromisso que respeite o recente mandato popular bem como o quadro operacional da Zona Euro.

Já existem vários pontos de convergência entre as duas partes e estes compõem a base em torno da qual o nosso acordo será formado. Houve progressos notáveis em relação ao ponto de partida numa série de aspetos relacionados com a melhoria dos sistema de cobrança de impostos e o reforço da sua autonomia, a luta contra a corrupção, a eficiência da administração, bem como iniciativas fiscais que garantirão o excedente primário adequado para este ano, sem penalizar a maioria da sociedade mas sim distribuindo a carga sobre os que tem uma forte capacidade para pagar impostos.

Permanecem, naturalmente, quatro pontos de desacordo no campo das relações laborais, do sistema de segurança social, do aumento do IVA e da lógica de desenvolvimento da propriedade pública.

Deixem-me ser claro: isto não tem a ver com uma fraqueza técnica mas sim com um desacordo político, de que todos tinham consciência à partida, sobre a medida em que reconheceram e continuam a reconhecer que o compromisso que procuramos respeitará o mandato claro do povo grego tal como foi manifestado nas eleições de Janeiro.

Apesar da cacofonia e das fugas e declarações erráticas da outra parte da negociação nos dias mais recentes, continuo firmemente confiante de que haverá um acordo até ao fim do mês. Porque sei que a Europa aprendeu a viver com as suas divergências, combinar as suas partes e avançar.

Estou convencido de que a Europa das tradições democráticas e do Iluminismo não cederá às vozes extremistas de alguns, que não escolherá o caminho de uma chantagem financeira brutal e imoral, mas o caminho da resolução das divergências, o caminho da estabilidade e respeito mútuo e, acima de tudo, o caminho da democracia, com benefício para o nosso futuro europeu comum."

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