You are here

O conto de crianças deles!

"Ainda há uma reforma por fazer, a de baixar os custos do trabalho", diz Pedro Passos Coelho com um espetacular à-vontade em direto no prime time. Francamente preocupado com as empresas, Passos promete-lhes a diminuição desse custo, ou seja, o aumento implícito dos lucros. Artigo de Maria de Baledón
Foto de Paulete Matos

"Ainda há uma reforma por fazer, a de baixar os custos do trabalho", diz Pedro Passos Coelho com um espetacular à-vontade em direto no prime time. Francamente preocupado com as empresas, Passos promete-lhes a diminuição desse custo, ou seja, o aumento implícito dos lucros.

Ao primeiro-ministro não chegaram os cortes nos feriados, nas horas extraordinárias, nos dias de descanso e nos subsídios de férias e de natal ou o aumento da jornada laboral de 35 para 40 horas, bem como o aumento dos impostos e as contribuições extras, valores estes retirados aos salários dos portugueses. Também não chegaram os despedimentos e os estagiários e os portugueses em regime de contrato emprego e inserção (CEI) entretanto cooptados para preencher vagas da função pública.

Não chegou o abaixamento do custo do trabalho para os particulares e não chegou o abaixamento dos custos com recursos humanos no Estado.

Para o primeiro-ministro, na verdade, até o desemprego diminuiu e é o INE que está equivocado.

Para as contas do Governo não entram na equação os que emigraram ou os que, por questões legais, deixaram de receber subsídios de desemprego e apoios do Estado, logo deixaram de constar das estatísticas, pois não fazem parte dos ficheiros, por exemplo, do IEFP e da Segurança Social.

Estamos a viver melhor, o país prospera e os cofres estão cheios.

Sucede, porém, que esse é o seu "conto de crianças".

E nós andamos para aqui a repetir isto que nos entra "pelos olhos adentro", uma e outra e outra vez. Tudo o que acima se disse e inúmeras vezes já se repetiu é tão estafado que já cansa e não há forças para mais. Uma evidência. Uma verdade tão cruel que por magoar se ignora. Já não sensibiliza. Já não faz parar. Pensar.

Milhares de portugueses na precariedade. Que é isso? Uma palavra difícil de pronunciar ainda por cima.

Ganhar 337 de subsídio de desemprego mais 146 de subsídio de almoço pagos pela entidade empregadora para daí pagar uma renda, água, gás, eletricidade, telecomunicações, supermercado, farmácia. Como é que se vive assim? Com uns míseros 523 euros?

Não se vai ao médico? Não se compram sandálias? Não se tem internet? Não se tem carro? E filhos? É claro que não se tem filhos! E livros? E férias?

A dignidade é posta em causa no seio afetivo, familiar, laboral e em todas as relações sociais.

A vergonha instala-se e o isolamento.

Tudo empobrece na vida de um desempregado, de um desempregado ocupado (de um cei), de um precário. É um ciclo de degradação lento.

Mas, como sabemos, a empatia é um traço de personalidade que não abona nos sociopatas, portanto não sei de que me serve estar para aqui a escrever isto.

Sabemos que para dizer o que disse e para agora o reafirmar confirmando que vai baixar a TSU das empresas, o primeiro-ministro tem que ter "as costas quentes". Afrontar assim os portugueses é sinal do seu conforto e o à-vontade com que fala rouba-nos toda e qualquer esperança.

Em 2012 obrigámo-lo a mudar de ideias. E agora?

Artigo de Maria de Baledón

Artigos relacionados: 

Termos relacionados Comunidade
(...)