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400 imigrantes morrem no Mediterrâneo

A organização “Save the children” alertou nesta terça-feira para a possibilidade de terem morrido 400 imigrantes africanos no naufrágio de um barco que se afundou 24 horas depois de partir da Líbia para a Itália.
Neste início de 2015 já morreram 500 imigrantes em naufrágios no Mediterrâneo - Foto Giuseppe Lami/EPA/Lusa (arquivo)

A “Save the children” baseia-se em testemunhos de sobreviventes recolhidos pela guarda costeira italiana na região da Calábria. O barco transportaria cerca de 550 pessoas, a guarda costeira terá salvo 144 imigrantes e recolheu nove corpos. Segundo a organização, os imigrantes são da África subsariana, entre eles haveria “muitos jovens, provavelmente menores” e tinham partido da Líbia.

A “Save the children”, uma ONG fundada em 1919 com o objetivo de proteger os menores, alertou também que entre 11 e 13 de abril chegaram à costa de Itália e foram recolhidos pelas autoridades italianas “mais de 5.100 imigrantes”, entre os quais “cerca de 450 crianças, 317 deles não acompanhados”.

O diretor geral da “Save the Children”, Valerio Neri, afirmou que “muitas dessas crianças viveram experiências de violência atroz e perderam amigos, familiares ou pais, inclusive nos últimos naufrágios”. Neri salientou que “a situação na Líbia está fora de controle”, que a “violência nas ruas é inaudita” e apontou que “é fundamental garantir um acolhimento adequado e dar o apoio necessário, também psicológico, especialmente aos mais vulneráveis”.

A “Save the children” destaca em nota de imprensa que “o crescente número de mortos no mar (Mediterrâneo) coloca não só à Itália, mas a toda a União Europeia e aos seus membros, o dever de responder com um dispositivo de busca e resgate no mar capaz de lidar com esta situação”.

Até 31 de outubro de 2014, a Itália tinha o programa Mare Nostrum para a recolha de imigrantes em situação de risco no Mediterrâneo. Em novembro passado, com o objetivo de reduzir despesas, o programa foi substituído pela operação europeia Tritão. A operação Tritão tem um orçamento de 2,9 milhões de euros por mês, enquanto o Mare Nostrum custava 9,3 milhões por mês

Até 31 de outubro de 2014, e durante um ano, a Itália tinha o programa Mare Nostrum para a recolha de imigrantes em situação de risco no Mediterrâneo. Em novembro passado, com o objetivo de reduzir despesas, o programa foi substituído pela operação europeia Tritão, destinada a patrulhar as fronteiras mediterrânicas. A operação Tritão tem um orçamento de 2,9 milhões de euros por mês, enquanto o Mare Nostrum custava 9,3 milhões por mês.

A operação Tritão tem sido criticada pelas ONG's, nomeadamente por ter menos meios. Segundo o jornal “Público”, a Organização Internacional das Migrações (OIM) salienta que no início de 2015 já morreram 500 pessoas no Mediterrâneos, enquanto em igual período de 2014 tinham morrido 47 pessoas, considerando que estes dados confirmam as críticas.

Nesta terça-feira, a Comissão Europeia anunciou que desde a passada sexta-feira foram salvos mais de 7.000 imigrantes e recolhidos 11 corpos no Mediterrâneo.

Segundo a TSF, Natasha Bertaud, porta-voz da CE para a Imigração declarou nesta terça-feira em conferência de imprensa: “Os últimos dados que temos indicam que, desde sexta-feira, mais de 7.000 imigrantes foram resgatados, mais de 3.500 imigrantes ainda estão a bordo das embarcações de resgate e estão a ser transportados para Itália, e 11 cadáveres foram recuperados”.

Natasha Bertaud acrescentou: “Estamos a acompanhar de perto o aumento dos fluxos de imigrantes no Mediterrâneo nos últimos dias e semanas. Muitos deles são refugiados que fogem às atuais crises para a nossa região”.

Em 2014, segundo a ONU, morreram 3.419 imigrantes no Mediterrâneo.

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