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O vigésimo sexto governante no BES

Há coisas que nunca mudam. Já sabemos que 25 ministros e secretários de Estado passaram pelo BES. Uma vida inteira de promiscuidade entre a banca e a política.

Conhecemos o resto da história. Anunciado o descalabro, decretos multiplicaram-se pelas madrugadas, mensageiros foram despachados às pressas para a CMVM, o Banco de Portugal anunciou mudanças, montou-se uma comissão de inquérito, agrilhoaram Ricardo Salgado, Paulo Portas bradou em defesa dos contribuintes, uma nova legislação para o sistema bancário anunciada como o novo sal da terra da economia portuguesa.

Mas quando a Tranquilidade, vendida às pressas aos norte-americanos da Apollo, depois de ver a sua administração demitida, anuncia os seus novos órgãos fiscais, lá encontramos o vigésimo sexto ex-governante: Luís Palha da Silva, secretário de Estado do comércio de Cavaco Silva, que desde a saída do governo passou pelos conselhos de administração da Jerónimo Martins, REN, Cimpor e Galp. Palha da Silva, que pelo meio ainda dirigiu a última campanha presidencial de Cavaco Silva, encontra o seu lugar no rearranjo internacionalista por que passam agora as redes da burguesia portuguesa e a nova Tranquilidade garante o seu ex-governante.

Há coisas que nunca mudam.

Artigo publicado no blogue Inflexão

Sobre o/a autor(a)

Sociólogo, dirigente do Bloco de Esquerda e ativista contra a precariedade.
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