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PSI20: Máquinas de distribuir dividendos aos acionistas

As empresas cotadas no PSI 20 distribuíram mais de 13 mil milhões de euros em dividendos aos acionistas, desde 2008. O endividamento aumentou, mas as empresas preferem distribuir dividendos aos acionistas do que cuidar do desendividamento ou do investimento.
Em 2014 as empresas do PSI 20 distribuíram 1.800 milhões de euros em dividendos aos acionistas, mais 6% do que distribuíram em 2007 - Foto de Images of money/flickr

O jornal “Expresso” de 28 de março de 2015 salientava que os cortes de que sofreu a maioria da população de Portugal, nos últimos anos, parece não ter atingido os acionistas das empresas do índice da cotação bolsista PSI 20, que receberam 13 mil milhões de euros em dividendos desde 2008. O empobrecimento atingiu a maioria da população, mas não beliscou os acionistas do PSI 20.

Segundo o “Dinheiro Vivo”, em 2014 as empresas do PSI 20 distribuíram 1.800 milhões de euros em dividendos aos acionistas, mais 6% do que distribuíram em 2007.

As empresas do PSI 20 chegam a pagar dividendos muito acima dos lucros ou até quando têm prejuízos. O “Expresso” cita dois casos: a Sonae SGPS teve resultados líquidos negativos em 2011 de 63 milhões, mas pagou 66,2 milhões em dividendos; a Zon (atualmente Nos), em 2012, teve lucros de 22 milhões, mas pagou 61,8 milhões, tal como já tinha feito em 2011.

A percentagem dos dividendos aos acionistas em relação aos resultados líquidos foi de 154% em 2013, segundo a CMVM.

Endividamento disparou

Segundo o “Dinheiro Vivo”, a dívida das empresas não financeiras do PSI 20 cresceu, de 2007 para 2014, 17% - mais 5,4 mil milhões - para 37,12 mil milhões de euros. Entre 2007 e 2014, o endividamento variou, tendo tido um pico em 2011 com mais de 42,6 mil milhões de euros.

Apesar do aumento do endividamento, a distribuição de dividendos aos acionistas foi de 13 mil milhões, entre 2008 e 2014.

Segundo o “Expresso”, o endividamento do PSI 20 (excluindo o setor financeiro) é de 67% do seu valor em bolsa: 32.235 milhões de euros de dívida para 48.206 milhões de capitalização bolsista.

Empresas do PSI 20 chegam a pagar dividendos muito acima dos lucros ou até quando têm prejuízos

Algumas empresas têm, no entanto, um nível de endividamento elevado. A Mota-Engil tem 166% de endividamento (747 milhões de capitalização bolsista para 1.243 de dívida). A REN 273% (894 milhões para 2.436 de dívida). A Teixeira Duarte 394% (328 milhões de valor bolsista para 1.293 de dívida).

A EDP é a empresa mais endividada – 17.042 milhões de euros – e, apesar do seu elevado valor em bolsa (11.128 milhões de euros), tem um endividamento de 153%.

As três empresas mais endividadas (EDP, PT sgps e Galp) pagaram em dividendos, nos últimos 7 anos: a EDP 4.400 milhões de euros, a PT sgps 3.000 milhões de euros e a Galp 1.400 milhões de euros.

Francisco Louçã, assinalou em artigo recente: “Durante estes anos vivemos primeiro uma crise financeira e depois uma recessão prolongada. O endividamento destas empresas aumentou e o seu investimento caiu a pique. Ficaram mais pobres. Mas usaram mais de metade dos seus rendimentos para pagar dividendos aos seus acionistas (…) Chama-se a isto viver acima das suas possibilidades”.

Onde estão 1.900 milhões de euros?

As empresas cotadas não financeiras do PSI-20 têm mais de 1,9 mil milhões de euros aplicados não se sabe em quê.

O escândalo dos 900 milhões de euros da PT aplicados em dívida do GES, não levou as empresas do PSI 20 a serem mais transparentes sobre onde têm o cash aplicado, salientou o “Expresso”.

O cash destas empresas é de 6.000 milhões de euros, não se sabendo onde estão 1.900 milhões, quase um terço.

A Galp tem em cash 1.144 milhões e quase 90% está investido em “outras aplicações de tesouraria”. A Portucel tinha, em setembro de 2014, 95% do cash (488 milhões) em “outras aplicações” e a Jerónimo Martins tem 431 milhões em cash, dos quais 255 milhões em aplicações e 172 milhões em depósitos à ordem.

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