You are here

Banco de Portugal recomenda a bancos que usem derivados nos contratos de crédito, Deco diz que é inadmissível

Perante as taxas negativas da Euribor, o Banco de Portugal (BdP) aconselha bancos a condicionar créditos à contratação de produtos derivados financeiros, onde tem predominado a especulação. A Deco considera “inadmissível”.
Imagem de Images of Money/flickr

O facto de as taxas Euribor estarem anormalmente baixas levou o Banco de Portugal (BP) a enviar uma carta-circular aos bancos.

Segundo o “Diário Económico”, o BdP alerta os bancos para a obrigatoriedade de refletirem as taxas Euribor negativas e sugere-lhes que, no futuro, acautelem este tipo de situações em futuros contratos de crédito associando-os a contratos de derivados.

"As instituições de crédito podem, por outras vias, acautelar os efeitos da referida evolução nos contratos de crédito e de financiamento que venham a celebrar no futuro" diz o BdP, apontando "caso estejam habilitadas a actuar como intermediários financeiros e entendam comercializar instrumentos financeiros derivados de taxas de juro como forma de prevenir os efeitos da evolução negativa dos indexantes utilizados na contratação de operações de crédito e financiamento".

A proposta do BdP é que, de futuro, um crédito pessoal ou à habitação, esteja ligado a um contrato de derivados, produtos que são em geral altamente especulativos e que tiveram um papel importante na crise financeira.

A Deco reagiu às recomendações do BdeP: "É surpreendente e parece-nos inadmissível que o Banco de Portugal venha propor a subscrição de produtos com grau de complexidade elevada, tendo em conta que muitas pessoas não têm literacia financeira suficiente para isso", declarou João Fernandes, economista da Deco.

"O resultado dos produtos deste género pode provocar grandes prejuízos para os consumidores", alerta João Fernandes pedindo que o parlamento intervenha para impedir que os bancos possam impor este esquema.

O “Diário Económico” cita um economista, que não identifica, que aponta: "Quando se esperava uma descida de ‘spreads' pode haver o movimento contrário, de forma a que o ‘spread' possa melhor reflectir todos os custos inerentes à concessão de crédito".

Termos relacionados Sociedade
(...)