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Apagão, sequestro e ameaças de bomba abalam Turquia

O maior apagão dos últimos quinze anos deixou esta terça-feira as maiores cidades turcas sem energia eléctrica. A noite foi de confrontos entre manifestantes e polícia em Istambul, depois do sequestro de um procurador ter acabado com um resgate sangrento. Já esta quarta-feira, um avião com destino a Lisboa teve de regressar a Istambul devido a uma ameaça de bomba.
Os voos da Turkish Airlines têm sido alvo de ameaças de bomba nos últimos dias. Foto Moody Man/Flickr

A meio da manhã de terça-feira, uma falha de abastecimento deixou boa parte do território turco sem energia eléctrica, afectando mais de 76 milhões de pessoas. A eletricidade só começou a ser reposta ao início da noite e este foi o maior apagão desde o terremoto de 1999, causando prejuízos superiores a 650 milhões de euros, nas contas do diário Hürriyet. Na origem do apagão pode ter estado uma falha na gestão da rede durante a madrugada. A primeira central deixou de funcionar depois da meia noite e outras duas interromperam a produção por volta das 10 da manhã. A instabilidade no abastecimento levou a rede europeia de sistemas de eletricidade a desligar-se da Turquia, enfraquecendo ainda mais a rede elétrica do país, levando ao apagão quase total. De imediato surgiram várias teorias sobre o que poderia estar por trás do apagão, como um ataque cibernético ou terrorista, embora também haja quem aponte o dedo à privatização das redes elétricas em 2013, já que a partir daí as empresas passaram a parar a produção nos horários e nos dias em que os preços da eletricidade são mais baixos.

Durante o apagão, dois membros da Frente Partidária de Libertação do Povo Revolucionário (DHKP/C), organização que consta na lista de terroristas da Turquia, EUA e União Europeia, sequestraram o procurador responsável pela investigação à morte do jovem Berkin Elvan, atingido por uma granada de gás lacrimogéneo durante os protestos em Istambul contra o governo em 2013, tornando-se um símbolo da oposição após ficar vários meses em coma. Os sequestradores exigiam que o polícia que atirou a granada confessasse o seu crime e responsabilizaram o procurador Mehmet Selim Kiraz pela ineficácia das investigações.

Para além do apagão de terça-feira, algumas ameaças de bomba em aviões da Turkish Airlines também afetaram o tráfego aéreo dos últimos dias. Um voo desta terça-feira com destino a São Paulo foi atrasado por causa dessa ameaça e outro voo com destino a Lisboa teve de regressar a Istambul pelo mesmo motivo. Também esta quarta-feira, um homem invadiu a sede do partido governamental AKP perto de Istambul, hasteando uma bandeira nacional com um desenho de uma espada branca, antes de ser detido pela polícia.

O desenlace do sequestro foi sangrento, com a polícia a assassinar os dois sequestradores. O procurador ficou ferido e acabou por morrer no hospital. Durante a noite, os protestos regressaram às ruas de Istambul, com novos confrontos entre polícia e manifestantes. Na manhã de quarta-feira, o governo turco anunciou a detenção de 32 pessoas em vários pontos do país, por suspeita de estarem ligadas aos dois sequestradores.

Para além do apagão de terça-feira, algumas ameaças de bomba em aviões da Turkish Airlines também afetaram o tráfego aéreo dos últimos dias. Um voo desta terça-feira com destino a São Paulo foi atrasado por causa dessa ameaça e outro voo com destino a Lisboa teve de regressar a Istambul pelo mesmo motivo. Também esta quarta-feira, um homem invadiu a sede do partido governamental AKP perto de Istambul, hasteando uma bandeira nacional com um desenho de uma espada branca, antes de ser detido pela polícia.

Os acontecimentos dos últimos dias vieram aumentar a tensão no país, semanas depois da condenação de dois estudantes a 14 meses de prisão por terem chamado "ditador" ao presidente Tayyip Erdogan. Esta semana o governo aprovou uma nova lei de segurança interna que amplia os poderes da polícia e permite o uso de armas de fogo contra manifestantes. Outra lei aprovada ao mesmo tempo para restringir o acesso a sites da internet que possam ser considerados uma "ameaça à ordem pública" também provocou críticas da oposição, que a considera um ataque à liberdade de expressão.

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