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Bloco questiona intervenção policial em escola de Sintra

O deputado bloquista Luís Fazenda questionou o Ministério da Educação sobre a inusitada operação policial, com recurso a cães farejadores, levada a cabo no interior da Escola Secundária de Santa Maria de Sintra. A ação ocorreu a 23 de fevereiro e foi solicitada pela direção do Agrupamento de Escolas Monte da Lua.
Foto de Paulete Matos.

Num esclarecimento dos responsáveis da escola à imprensa, é referido que o objetivo da rusga foi “sensibilizar a comunidade escolar para os problemas inerentes ao consumo de substâncias ilícitas, para os seus efeitos e consequências, tanto do ponto de vista da saúde, como do ponto de vista das suas consequências legais”.

Segundo avança o deputado do Bloco Luís Fazenda num requerimento endereçado ao Ministério da Educação, “são vários os relatos de alunos que dizem ter sido abordados pelos representantes das autoridades em plena sala de aula e obrigados a ficar imóveis, de mãos em cima da mesa, ao longo de vários minutos, como se de criminosos se tratassem, aguardando a passagem dos cães e, em alguns casos, por revista policial”.

A concelhia do Bloco de Esquerda de Sintra esclarece ainda, em comunicado, que “os pais não tinham conhecimento desta 'peculiar ação de educação para a saúde' e, contrariamente do que foi veiculado pela escola, nem toda a intervenção terá sido acompanhada pela direção da escola”.

Os bloquistas lembram que “a pedagogia do medo e a repressão policial não são estratégias recomendadas no Programa Nacional de Saúde Escolar para prevenção de comportamentos de risco e, em particular, na prevenção do consumo de substâncias psicoativas”.

“Não fechando os olhos à existência de problemas relacionados com o tráfico de drogas ilícitas junto da população escolar, problema esse que deve ser pensado e trabalhado de forma séria e consequente, a escola deve ser um espaço de segurança e de liberdade, não se justificando este tipo de metodologias absolutamente abusivas do estado de direito democrático”, defendem.

“Negação dos direitos constitucionais dos jovens”

O ex coordenador do Observatório de Segurança Escolar, o sociólogo João Sebastião, afirmou-se, em declarações ao jornal Público, indignado com a situação.

“Não foi uma ação de sensibilização, mas de negação dos direitos constitucionais dos jovens que a escola é obrigada a cumprir. E tratando-se de menores, os pais tinham também o direito de serem ouvidos previamente”, defendeu.

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