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Bloomberg curva-se diante do trabalho de Mariana Mortágua

Agência noticiosa liberal dedica à jovem deputada do Bloco um artigo a elogiar a sua capacidade de trabalho e a atuação competente na comissão de inquérito do BES.
A fotografia de Paulete Matos foi usada pelos editores da Bloomberg para dar apoio ao título
A fotografia de Paulete Matos foi usada pelos editores da Bloomberg para dar apoio ao título

 “Não é o Esquerda.net, é a Bloomberg.com: BES fez de Mariana Mortágua uma heroína” – é com este título que o Expresso online, com algum humor, noticia o artigo dedicado pela agência de notícias Bloomberg à jovem deputada do Bloco de Esquerda que ganhou notoriedade devido à atuação competente na comissão de inquérito parlamentar ao caso GES/BES.

O título do Expresso procura destacar o facto de ser uma agência especializada em mercados financeiros, fundada por um político americano de direita, a publicar um artigo que seria de esperar encontrar-se no portal de informação alternativa mantido pelo Bloco de Esquerda. Mas, de certa forma, é injusto com o Esquerda.net. Debalde encontrará o leitor artigos encumiásticos sobre os dirigentes e deputados do Bloco neste portal. Não é esse o papel do Esquerda.net. Encontrará, sim, informações do seu trabalho parlamentar, da sua militância política. Não cabe ao portal avaliar se Mariana Mortágua é uma “estrela” ou uma “heroína” devido à atuação na comissão do BES (e muito menos informar qual a marca de ténis que usa), mas sim acompanhar e informar sobre o seu trabalho na comissão.

Busca obstinada

Apesar do título a resvalar para a imprensa fútil (“Inquérito Espírito Santo torna Mariana Mortágua numa estrela portuguesa”), o artigo exalta sobretudo o trabalho da deputada na Comissão de Inquérito

Há que reconhecer, porém, que apesar do título a resvalar para a imprensa fútil (“Inquérito Espírito Santo torna Mariana Mortágua numa estrela portuguesa”), o artigo da agência fundada pelo milionário Michael Bloomberg em 1990 exalta sobretudo o trabalho da deputada na Comissão de Inquérito, a sua “busca obstinada dos responsáveis pelo maior colapso empresarial do país numa geração”.

O jornalista da Bloomberg ouviu o politólogo António Costa Pinto que elogia “o seu estilo de fazer perguntas curtas e duras, num país onde as pessoas são normalmente mais subtis."

E um analista de mercados que, apesar de salientar que não partilha a visão política de Mariana Mortágua, admite que “ela estudou o assunto muito bem e revelou ser uma boa representante dos cidadãos portugueses”.

O Syriza de Portugal

O jornalista Henrique Almeida, que assina o artigo, confirma esta opinião, destacando que a deputada do Bloco de Esquerda (que o artigo afirma ser “o Syriza de Portugal”) ficou muitas vezes acordada até às 3h ou 4h da manhã tentando juntar todas as peças, e que este trabalho duro foi compensado. “Um vídeo do Youtube mostrando Mortágua durante o Inquérito recebeu mais de 200.000 visualizações”, aponta o artigo, notando que a página do Facebook da deputada já atingiu o limite máximo de 5 mil amigos.

O jornalista não deixa de citar também, a observação dirigida a Ricardo Salgado em que Mariana Mortágua ironiza que o “Dono Disto Tudo” quis transformar-se na “Vítima Disto Tudo”. Poderia ter citado a observação da deputada sobre o amadorismo de Zeinal Bava, por exemplo, e muitas outras que foi disparando durante os trabalhos da comissão. Mas provavelmente o artigo foi escrito antes.

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