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“Portugal e Grécia têm interesse comum em resolver problema da dívida”, diz ministro grego

Euclid Tsakalotos diz que “um dos interesses comuns” é “alterar a médio prazo a arquitetura económica e financeira da UE, que atualmente prejudica as economias soberanas e periféricas”.
Euclid Tsakalotos sublinha que é “absolutamente crucial que o povo português entenda que aquilo que o Governo grego reivindica sobre a sua dívida não é apenas positivo para o grego comum, mas também para o português comum ou o espanhol, e mesmo para o holandês ou alemão…”

Em entrevista à Lusa, Euclid Tsakalotos, atual ministro-adjunto grego para as relações económicas internacionais, afirma:

“Um dos interesses em comum, sejam governos de centro-direita, de centro-esquerda ou de esquerda, penso que consiste em alterar a médio prazo a arquitetura económica e financeira da União Europeia (UE), que atualmente prejudica as economias soberanas e periféricas”.

Tsakalotos diz também que “os líderes portugueses e espanhóis” também “têm todo o interesse” em alterar a situação e resolver o problema da dívida, “mesmo que possuam uma convicção política diferente da nossa”, considerando que a união monetária europeia “não é propriamente uma união monetária, no sentido da que existe nos Estados Unidos, Austrália ou Canadá”.

O ministro-adjunto grego, que foi eleito por duas vezes deputado do Syriza, sublinha também que é “absolutamente crucial que o povo português entenda que aquilo que o Governo grego reivindica sobre a sua dívida não é apenas positivo para o grego comum, mas também para o português comum ou o espanhol, e mesmo para o holandês ou alemão…”.

Tsakalotos defende que os países periféricos da UE encontrem uma solução que inclua a “mutualização” da dívida e a alteração das políticas de austeridade: “Porque não há forma de Portugal, Espanha ou a Grécia recuperarem a sua competitividade se o problema da dívida não for resolvido, se a Alemanha insistir em possuir enormes excedentes comerciais, se não existir um aumento da cooperação entre as economias”, realça.

“Se o Governo grego for humilhado, ou derrotado, ou expulso do euro, isso será uma mensagem para muitas pessoas de que esta Europa não está preparada para as reformas, que não está aberta às mudanças democráticas, que não tem capacidade para assumir as questões sociais como o combate ao desemprego, melhores práticas laborais, melhores reformas…”

“Se o Governo grego for humilhado, ou derrotado, ou expulso do euro, isso será uma mensagem para muitas pessoas de que esta Europa não está preparada para as reformas, que não está aberta às mudanças democráticas, que não tem capacidade para assumir as questões sociais como o combate ao desemprego, melhores práticas laborais, melhores reformas…”, sublinha o ministro-adjunto grego.

Tsakalotos considera ainda que os “bons resultados eleitorais” do Syriza se deveram ao facto “de o centro-esquerda em particular, e nos últimos dez, 15 anos, não ter sido capaz de avançar com uma agenda de salários, pensões, reformas, Estado social, afinal as necessidades das pessoas”.

Mais do que uma hipótese nas negociações”

“Ninguém vai para uma negociação revelando qual é o seu plano B ou C. Mas obviamente que estamos a planear mais do que uma hipótese, e em simultâneo também pensamos naquilo que as pessoas consideram ser o melhor para a Europa, caso não seja garantido um acordo no imediato”, referiu o ministro-adjunto grego à Lusa.

Euclid Tsakalotos destaca que “o Governo grego negociou um compromisso onde há algumas coisas que garantimos, por exemplo não existir um compromisso para um excedente orçamental primário de 3%, não existir compromisso para fechar a quinta avaliação [da troika] e muitos outros aspetos que pretendíamos aplicar e com os quais concordámos com os nossos parceiros, como o combate à evasão fiscal ou à corrupção”.

...não há forma de Portugal, Espanha ou a Grécia recuperarem a sua competitividade se o problema da dívida não for resolvido, se a Alemanha insistir em possuir enormes excedentes comerciais, se não existir um aumento da cooperação entre as economias”

Tsakalotos diz que o governo grego do Syriza não teve muito tempo para negociar o novo acordo e salienta: “de alguma forma consideramos que foi uma falta de tempo artificial, porque ao anterior governo tinha sido sugerida uma extensão por mais seis meses do programa, mas apenas decidiram uma extensão de dois meses [até ao final de fevereiro] precisamente para colocar pressão sobre o governo que lhes sucedeu, por outras palavras, nós”.

O ministro-adjunto grego sublinha ainda: “Uma fraqueza do 'programa de transição' foi a ausência de um compromisso firme da outra parte para o financiamento. E isso coloca alguma pressão. Mas penso que no espírito e na letra deste programa nos foi dado tempo para aplicar as reformas que prometemos”.

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