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Roberto Almada: “O programa de austeridade da Madeira tem de acabar já”

Na apresentação da candidatura do Bloco/Madeira às eleições regionais, Roberto Almada defendeu o cancelamento de parte da dívida da Região ao Estado e a renegociação da dívida que asfixia o regime autonómico.
Foto Igor Andrade

A apresentação da candidatura do Bloco de Esquerda às eleições regionais da madeira juntou o primeiro candidato Roberto Almada e a eurodeputada Marisa Matias num almoço com apoiantes no Funchal.

No discurso de apresentação, Roberto Almada apontou baterias à “governação autocrática e irresponsável do PSD/Madeira”, sempre apoiada por Miguel Albuquerque, o sucessor de Alberto João Jardim na liderança do PSD na Região. O candidato do Bloco afirma que estas eleições servem para pedir contas ao PSD/Madeira por ter assinado com o governo do PSD/CDS “um duplo programa de austeridade que empobreceu a nossa Região e aumentou impostos, mais do que em qualquer parte de Portugal”.

A questão da dívida da Madeira será um dos pontos-chave da candidatura. Se hoje ela se aproxima dos 300 milhões de euros, o que para Roberto Almada já “é incomportável para um pequeno Orçamento”, a partir de 2016 “começaremos a pagar um empréstimo concedido ao abrigo desse programa de austeridade — Programa de Ajustamento Económico e Financeiro — e teremos de reservar 450 milhões para o serviço da dívida, quase 30% do Orçamento da Região”.

A candidatura do Bloco entende que “só é possível garantir melhores condições de vida aos madeirenses, acabando com este programa de austeridade. Não aceitamos, como faz o PS, uma revisão desse programa para uma austeridade mais light, mas ainda assim atentatória da dignidade das pessoas”.

“Isto é insuportável e impossível de cumprir. Compromete a sobrevivência do regime autonómico, a escola pública e a saúde com acesso a todos, mas a médio e longo prazo compromete também o pagamento dos salários dos funcionários da administração pública regional”, afirmou o candidato do Bloco. “Precisamos de uma renegociação da dívida, mas mais do que isso, o cancelamento de uma parte da dívida regional ao Estado português. Não é inédito e foi feito por António Guterres em 1999”, lembrou Roberto Almada, defendendo também uma auditoria à dívida madeirense, para apurar responsabilidades.

A candidatura do Bloco entende que “só é possível garantir melhores condições de vida aos madeirenses, acabando com este programa de austeridade. Não aceitamos, como faz o PS, uma revisão desse programa para uma austeridade mais light, mas ainda assim atentatória da dignidade das pessoas”. Roberto Almada sublinhou também a necessidade de acabar com o offshore da Madeira, onde das 2500 empresas registadas, “82% não têm qualquer trabalhador: utilizam a nossa Região para passar dinheiro sabe-se lá de que negócios, usam este artifício para fugir aos impostos, prejudicam a Madeira, fazendo com que o nosso PIB seja mais alto e impedindo a Região de ter acesso a fundos comunitários”.

Roberto Almada propôs ainda combater os monopólios criados pelo governo do PSD/Madeira, com o apoio de Miguel Albuquerque, começando pelo monopólio da ligação marítima entre a Madeira e o Porto Santo, que deixou esta ilha sem transporte durante o mês de janeiro. O Bloco defende a criação de uma empresa pública que garanta o serviço em boas condições e em concorrência com a oferta privada.

Marisa Matias também interveio para destacar algumas marcas que fizeram a diferença com a presença do Bloco na Assembleia Legislativa da Madeira, como a luta contra o “jackpot” do financiamento aos partidos, o combate pela igualdade e por uma lei da paridade no parlamento regional ou na iniciativa para legislar sobre as incompatibilidades e a transparência no exercício de cargos públicos regionais, para combater a promiscuidade entre política e negócios.

A eurodeputada bloquista falou ainda das primeiras semanas do governo Syriza na Grécia, com o crescimento do apoio popular: “Eles conseguiram mostrar que os governos, quando estão sentados no Conselho Europeu, podem negociar. Não têm de ajoelhar-se, podem mesmo negociar, podem mesmo tentar lutar pelos interesses das populações que representam e não lutar apenas por salvaguardar os interesses dos mercados financeiros”.

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