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Tsipras: “Não haverá um terceiro resgate em junho”

Alexis Tsipras reforçou a reivindicação de uma redução da dívida grega. O primeiro-ministro helénico anunciou ainda a aprovação de “leis dirigidas ao resgate social”, como o fornecimento gratuito de eletricidade a 300 mil lares e um programa de habitação para 30 mil famílias. Uma sondagem publicada este sábado mostra um grande aumento do apoio ao Syriza.

“Conseguimos fazer um acordo-ponte para nos próximos quatro meses podermos negociar, com sinceridade e sem chantagens, a própria natureza do acordo de empréstimo, com o pedido de redução da dívida grega em cima da mesa”, avançou Alexis Tsipras perante o Conselho de Ministros, que teve lugar esta quarta-feira.

Respondendo a quem aposta na possibilidade de um terceiro resgate em junho, o primeiro-ministro helénico esclareceu: “Lamento, mas vamos desapontá-los novamente”.

Segundo o líder do Syriza, os memorandos acabaram a 25 de janeiro. “O povo grego pôs fim aos resgates com o seu voto”, frisou.

Lembrando que o seu executivo conseguiu “a extensão do acordo de empréstimo sem novos compromissos de cortes”, Alexis Tsipras sublinhou que ficou provado “que a Europa pode avançar quando há vontade política”.

“O país recuperou a dignidade e o respeito dos parceiros europeus”

“A Europa foi obrigada a aceitar o que ainda ontem parecia tabu: que os cinco anos de políticas dos memorandos foram não só socialmente destrutivos mas também economicamente ineficazes”, afirmou o líder do Syriza, frisando que “o país recuperou a dignidade e o respeito dos parceiros europeus”.

“Sei bem que havia quem queria que falhássemos e hoje ia adorar que tivéssemos aceite as medidas de extermínio social que o anterior governo tinha concordado em aceitar”, acrescentou Alexis Tsipras, lembrando que “o conjunto de políticas que acompanha o acordo de extensão do empréstimo” passa por uma série de reformas necessárias para combater a fuga ao fisco e a corrupção, reconstruir a administração pública, restaurar a economia real e debelar a crise humanitária, e não pelos cortes nos salários e pensões, despedimentos, asfixia fiscal dos trabalhadores e PMEs que eram exigido.

“Temos perante nós uma grande batalha e um desafio colossal”

“Temos perante nós uma grande batalha e um desafio colossal: Reerguer um país e um povo devastado e exausto. Esta é a nossa maior dívida. Esta é a nossa primeira responsabilidade”, salientou o primeiro ministro grego durante o seu discurso.

O líder do Syriza anunciou que o seu governo vai aprovar na próxima semana “leis dirigidas ao resgate social, que serão cuidadosamente implementadas para cumprir os compromissos para com o povo grego sem pôr em causa o equilíbrio das contas públicas”.

Segundo avançou Tsipras, a primeira lei centra-se no combate à crise humanitária, incluindo:
- eletricidade e apoio alimentar gratuito a 300 mil lares, para que a Grécia possa voltar a ser um país civilizado, onde toda a gente viva com dignidade e com respeito;
- programa de habitação para 30 mil famílias;
- proteção dos despejos nas habitações principais avaliadas em menos de 300 mil euros;
- alívio dos pequenos devedores (até 5.000 euros) ao fisco e prioridade à cobrança dos grandes devedores, orientando a máquina fiscal para auditar as extensas listas que não foram investigadas;

Alexis Tsipras anunciou também a apresentação de uma lei para fazer regressar a ERT – a estação pública de TV – e ações para modernizar a administração pública.

Sublinhando que “as pessoas têm o direito a saber a verdade” e que o seu governo tem “a obrigação política e moral de fazer justiça”, o primeiro-ministro helénico referiu que submeterá uma proposta ao parlamento para criar uma Comissão de Inquérito aos Memorandos, por forma a “investigar as responsabilidades políticas da bancarrota que levou o país a pedir um empréstimo forçado”.

Apoio ao Syriza cresce exponencialmente

Uma sondagem da Metron Analysis para o jornal Parapolitika, que será publicada este sábado, mostra que dois em cada três gregos estão satisfeitos com a forma como o governo grego tem lidado com as negociações com os seus parceiros da União Europeia. 76% dos inquiridos têm opinião positiva sobre o governo e 68% estão satisfeitos com o resultado das negociações em Bruxelas.

O apoio ao Syriza ascende atualmente a 47,6%, contra os 36,3% dos votos obtidos nas eleições legislativas de 25 de janeiro.

A sondagem atribui à Nova Democracia 20,7%, Pasok 3,4%, To Potami 6,4%, KKE 4,8%, Aurora Dourada 5,9%, Gregos Independentes 4,3%.

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