You are here

“Governo português parece um servo que leva pontapés do dono”

Marisa Matias diz que a “vigilância apertada de Bruxelas destruiu a retórica do sucesso” de um governo submisso. Comentando as declarações “chocantes” de António Costa, lembra que “os chineses não se deixam enganar” pelas ilusões do líder do PS.
Marisa Matias no "Conselho Superior" da Antena 1.

No programa semanal Conselho Superior, da Antena 1, Marisa Matias comentou a decisão da Comissão Europeia de colocar Portugal sob vigilância apertada por causa de desequilíbrios macroeconómicos. A eurodeputada bloquista começou por recordar que o Governo português, através da ministra das Finanças, negava até há pouco tempo que essa decisão de “vigilância apertada” estivesse em cima da mesa de Bruxelas, já que o Governo “cumpriu tudo”.

“É uma destruição da retórica de Portugal como caso de sucesso”, resumiu Marisa Matias, sublinhando que “nem de propósito, a decisão surge pouco depois” de Maria Luís Albuquerque ter-se apresentado em público ao lado de Schäuble como prova do sucesso da troika. “Temos desequilíbrios excessivos, o desemprego e a pobreza aumentaram e as políticas do Governo português agravaram muito as situações de pobreza”, é o que agora Bruxelas vem dizer, explicou a eurodeputada.

“O Governo português acabou por se tornar uma espécie de servo que leva pontapés do próprio dono”, conclui Marisa Matias, considerando também “chocantes” as declarações de António Costa sobre a situação em Portugal estar melhor do que há quatro anos. “São uma desilusão para quem acreditasse que o PS podia ser uma alternativa a este governo”, acrescentou.

“Esta vigilância apertada representa uma antecâmara das sanções”, no atual enquadramento institucional europeu “que prevê que se possa punir aqueles que não cumprem alguns critérios”, prosseguiu Marisa Matias, recordando que “a Comissão Europeia tem uma mão muito forte com os mais fracos e uma mão muito leve com os mais fortes”.

“O Governo português acabou por se tornar uma espécie de servo que leva pontapés do próprio dono”, conclui Marisa Matias, considerando também “chocantes” as declarações de António Costa sobre a situação em Portugal estar melhor do que há quatro anos. “São uma desilusão para quem acreditava que o PS podia ser uma alternativa a este governo”, acrescentou.

Mas ela também significa, no entender da eurodeputada do Bloco, que “vem aí mais austeridade”. “O Governo português acabou por se tornar uma espécie de servo que leva pontapés do próprio dono”, conclui Marisa Matias, considerando também “chocantes” as declarações de António Costa sobre a situação em Portugal estar melhor do que há quatro anos. “São uma desilusão para quem acreditava que o PS podia ser uma alternativa a este governo”, acrescentou.

“Os chineses não se deixam enganar sobre a situação em Portugal. Eles sabem bem que foi essa situação que lhes permitiu comprar a EDP a preço de saldos”, lembrou Marisa Matias, antes de comparar a atitude dos governos de Lisboa e de Atenas. Enquanto o novo governo grego “fez frente às instituições, conseguiu rever os compromissos e cancelar as medidas adicionais de austeridade que estavam previstas e também se livrou das metas absurdas dos excedentes primários”, enquanto pelo contrário, o governo português “foi o bom aluno e a recompensa que temos por termos governantes tão bem comportados é que vamos ter mais anos de austeridade, crise e desemprego”.

Vigilância apertada: de bom aluno a servo - Marisa Matias 2015.02.27

Termos relacionados Política
Comentários (1)