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"A verdade é que a austeridade mata"

Na "balança do Governo" nunca estão os direitos dos cidadãos, mas sim os direitos dos credores, criticou esta quarta-feira Marisa Matias. A eurodeputada bloquista reagia assim ao relatório anual da Amnistia Internacional que alerta, pela primeira vez, para o impacto das medidas de austeridade na vida dos portugueses.
Foto de João Relvas, Lusa.

"A verdade é que a 'austeridade mata' e, se forem precisos exemplos, veja-se o que se está a passar nos serviços de urgência, em que há mortes absolutamente evitáveis porque a austeridade está a matar o Serviço Nacional de Saúde", avançou a eurodeputada do Bloco de Esquerda Marisa Matias à agência Lusa, comentado o documento da AI divulgado esta quarta-feira.

Segundo a dirigente bloquista, as medidas de austeridade estão "a matar" os direitos iguais para todos, o acesso aos bens essenciais, sendo que na "balança do Governo" nunca estão os direitos dos cidadãos, mas sim os direitos dos credores.

"Este relatório vem na sequência de declarações da ONU e de muitos dados sobre os quais temos acesso sobre os impactos da austeridade em Portugal e o que o primeiro-ministro e o Governo deviam ter em conta, olhando para este relatório e para outros, já que não querem ouvir outras vozes", salientou Marisa Matias.

Para a eurodeputada, a situação está a sacrificar "tudo aquilo que é o esforço de um país" para se pagarem os lucros dos mercados financeiros através dos juros da dívida.

O que falta ao Parlamento Europeu e às instituições europeias é a coragem de reconhecer, "de uma vez por todas"

O que falta ao Parlamento Europeu e às instituições europeias é a coragem de reconhecer, "de uma vez por todas", que as políticas falharam, defendeu.

"Apesar de nós, na União Europeia, termos apenas quatro países em 28 que cumprem os critérios de estabilidade e crescimento, continuam a dizer que o problema é dos países e não das regras. Se 24 não cumprem os critérios definidos pelas regras, provavelmente o problema está nas regras", acrescentou Marisa Matias.

A eurodeputada destacou que "as regras estão desenhadas para servirem os interesses financeiros e não os coletivos e esse é que é o problema".

"O Parlamento Europeu, como as outras instituições europeias, à medida que vão acumulando mais evidência e relatório após relatório, a única coisa decente que podem fazer é colocar na balança os seus interesses as pessoas e não apenas os interesses dos credores", concluiu.

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