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Indecente e vergonhoso

O título que dou a este artigo de opinião é, no mínimo, suave, tratando-se de classificar a chantagem que os países do Euro estão a fazer sobre a Grécia.

Quatro anos de intervenção, com a mesma receita que estão aplicar em Portugal, lançaram a Grécia, numa crise económica e social terrível. O Produto Interno Bruto baixou 25%; o desemprego atinge os 28% e o desemprego jovem os 60%; os desempregados (ou quem não tem seguro de saúde) não têm direito a ser assistidos, em qualquer serviço de saúde público.

Estes são alguns dados que exemplificam a miséria que impuseram à Grécia. Mas, perante este quadro negro, os ‘senhores’ da Europa não conseguem ver as pessoas. Querem é os juros do seu dinheiro! E querem garantir – custe o que custar – que a política de pensamento único que impuseram não venha a ser denunciada como a fraude que, realmente, é – nem pelos Gregos, nem por ninguém.

Para a Europa do euro, os Gregos, ou aceitam os planos da Troika, tal como estão desenhados, ou todo o crédito será cortado, mesmo o dos bancos gregos!

A Grécia está colocada entre a espada e a parede: se assume que a dignidade do seu povo está primeiro e que o combate à fome é inadiável… a Europa isola-a.

Estamos perante uma dívida de cerca de trezentos mil milhões de euros. Dívida que (como dizia o atual primeiro-ministro grego) não só é impagável, como resulta de empréstimos excessivos, autorizados com o objetivo de ter o país subordinado aos interesses da finança internacional, de que estes ‘senhores’ são representantes.

Manter o programa da Troika, na Grécia - como estes ‘senhores’ defendem -, significa, entre outras coisas, retomar o plano de despedimentos, na função pública, em 150.000 trabalhadores/as.

Miséria sobre miséria, para impor uma ideia e receber os juros! - é esta a estratégia da Senhora Merkel e seus seguidores, entre os quais, Passos, Portas e a debutante Maria Luís sobressaem, como ferozes discípulos.

Na Europa dos fortes, elogia-se a miséria dos pequenos: ora o descalabro do nosso país, com mais de 2 milhões de portugueses/as a viverem na pobreza e outros 2 milhões em risco, eminente, de nela caírem; ora a situação desumana, em que vivem milhões de gregos. Festejemos, ‘senhores’!

E o nosso trio de discípulos lá está, ainda mais aguerrido do que os seus amos, procurando o estrelato efémero que lhes é reservado. Caricato? É pouco. Triste? Muitíssimo. Sabujo? Sem dúvida.

Nesta triste fotografia, ainda cabe António Costa. Farta-se de falar contra a austeridade e contra a inevitabilidade destas políticas, mas não é capaz de levantar a voz, contra esta atrocidade. Pelo contrário, divulga aos sete ventos que, na próxima semana, vai estar na cimeira dos socialistas europeus. Neste evento, estarão presentes personalidades como o chanceler austríaco (que, em palavras, mostrou solidariedade com a Grécia, mas depois apoiou Merkel), o socialista comissário europeu Pierro Moscovici (que apresentou uma proposta alternativa, aceitável pela Grécia, mas logo a retirou), e o presidente do eurogrupo, o holandês Dijsselbloem, também socialista.

É tal e qual como diz o povo: ‘Caro António Costa, diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és!’.

Aos Gregos, resta-lhes a sua força, a sua vontade e o apoio dos povos desta Europa, porque esta luta é de todos/as, pela dignidade e pelo futuro!

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda. Deputada à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, entre 2008 e 2018.
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