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“Governo insulta o país ao apresentar-se como exemplo máximo da submissão”

Catarina Martins criticou a presença da ministra das Finanças numa iniciativa pública com Schäuble para servir de “exemplo de sucesso” da austeridade.
Foto Paulete Matos

“Este governo ficou reconhecido internacionalmente como sendo o mais aguerrido contra a Grécia. Mas hoje subiu mais um degrau de vergonha e insulto ao nosso país”, disse Catarina Martins esta quarta-feira numa sessão pública realizada em Coimbra, no âmbito da campanha do Bloco contra a Austeridade.

Para a porta-voz do Bloco, o encontro de Maria Luís Albuquerque com o ministro das Finanças alemão serviu apenas para este poder mostrar que “aqui está um governo como deve ser, um governo submisso, que não faz ondas, que diz sim quando o mandam dizer que sim e não nos vem chatear com pormenores da economia do seu país”.

“O que mais insulta nesta mostra do governo português ser mostrado internacionalmente como exemplo máximo da submissão é que isso é feito escondendo o meio milhão de postos de trabalho que foram destruídos no nosso país”, prosseguiu Catarina Martins, recusando que se possa considerar sucesso o meio milhão de pessoas que perderam o emprego em Portugal, as mais de 300 mil que foram obrigadas a emigrar ou ao regresso da pobreza infantil a números há muito desconhecidos.

“O que mais insulta nesta mostra do governo português ser mostrado internacionalmente como exemplo máximo da submissão é que isso é feito escondendo o meio milhão de postos de trabalho que foram destruídos no nosso país”, prosseguiu Catarina Martins, recusando que se possa considerar como um "sucesso" o meio milhão de pessoas que perderam o emprego em Portugal, as mais de 300 mil que foram obrigadas a emigrar ou ao regresso da pobreza infantil a números há muito desconhecidos.

“Vergonha e insulto é dizerem-nos que a pobreza e a destruição da nossa economia pode ser um caso de sucesso”, concluiu a porta-voz bloquista. As declarações de Cavaco Silva, que esta quarta-feira veio dizer que o país está a doar generosamente dinheiro à Grécia, também não ficaram sem resposta nesta sessão pública, com Catarina Martins a lembrar que Passos Coelho dissera o mesmo e foi desmentido pela imprensa quanto à dimensão dessa “ajuda”. “Não quer o Presidente da República dizer-nos onde foi buscar tais dados? Quer mesmo que a discussão na UE seja um permanente ataque de país contra país. É este projeto de egoísmo o rumo que o Governo e o Presidente querem para Portugal e a União Europeia?”, questionou Catarina Martins.

Na sua intervenção, a porta-voz do Bloco referiu-se à “semana de todas as decisões” na Europa, reiterou a solidariedade com o povo grego e elogiou a coragem do governo do Syriza ao não assinar o documento que previa mais austeridade para o seu país. O fanatismo ideológico dos partidos que apoiaram a posição alemã parece dizer que “se a fogueira não é suficiente, vamos deitar mais gasolina”, quando todas as evidências mostram o fracasso da austeridade, acrescentou Catarina Martins, lamentando que “tudo o que o sonho europeu tem hoje para nos oferecer é este pesadelo”.  

“Queremos defender o país e quem aqui vive, defender esta ideia que hoje é quase revolucionária: tem de existir futuro com dignidade no nosso país”, defendeu a porta-voz do Bloco.

O médico António Rodrigues descreveu as linhas mestras das políticas de austeridade aplicadas por Paulo Macedo para destruir o SNS.

O médico António Rodrigues também interveio nesta sessão pública, centrando-se na análise sobre a evolução do Serviço Nacional de Saúde sob a direção do ministro Paulo Macedo. Acusando o ministro de ter sido o que mais destruiu o SNS em Portugal, António Rodrigues detalhou as principais linhas chave do atual governo para o setor, como o estrangulamento orçamental, em que “em nome de uma suposta racionalização, o que assistimos é ao racionamento de cuidados”, a falta de investimento, o centralismo nas decisões, passando pelo “agigantamento do complexo industrial privado na prestação de cuidados de saúde” à custa dos dinheiros públicos.

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