You are here

Pablo Iglesias: “Temos elites políticas velhas que são incapazes de reconhecer os seus erros”

Líder do Podemos acusou os defensores da austeridade de “asfixiarem os gregos”. Apresentado por Amy Goodman como o “próximo primeiro ministro espanhol”, Iglesias teceu ainda críticas ao “partido de Wall Street que resgata os bancos e passa a fatura aos cidadãos”. Segundo o político espanhol e o Nobel da Economia Joseph Stiglitz, os "três grandes problemas" na Espanha e Europa do Sul são "a dívida, o desemprego e a desigualdade".

Durante uma visita a Nova Iorque, que teve início na segunda-feira e terminará esta quarta-feira, o líder do Podemos falou sobre a premência de uma mudança no Estado Espanhol e alertou para os perigos que a Europa defronta face a velhos “dogmas”.

“Atravessamos um momento em que estão em jogo a democracia e a própria viabilidade da Europa e há que dizer-lhes — aos defensores do dogmatismo — que sejam responsáveis”, frisou.

Referindo-se às negociações entre o governo grego do Syriza e o Eurogrupo, Pablo Iglesias denunciou que estão a “asfixiar os gregos”.

“Temos umas elites políticas velhas que são incapazes de reconhecer os seus erros”, lamentou.

Sobre a situação espanhola, o líder do Podemos adiantou, por sua vez, que “a crise implica que muita gente tenha que ir [embora], que os níveis de desemprego sejam inaceitáveis, especialmente entre os jovens, significa que a dívida do seu país é praticamente impagável”.

Segundo Iglesias, para os seus adversários, o Podemos “é o partido do medo”, sublinhando que, no entanto, esta formação assume-se como “o partido da esperança”. “Estamos num momento muito especial, a mudança pode ser feita”, avançou.

“O partido de Wall Street resgata os bancos e passa a fatura aos cidadãos”

Durante um colóquio na Cidade Universitária de Nova Iorque (CUNY), Iglesias referiu-se ao “partido de Wall Street”, que é “a III Internacional bancária”, controlada pelo FMI, BCE e pela Comissão Europeia, e com “Merkel como presidente na Europa e a casta como representante em Espanha”.

“O partido de Wall Street resgata os bancos e passa a fatura aos cidadãos”, frisou.

Goodman apresenta Iglesias como “próximo primeiro ministro espanhol”

Amy Goodman, que moderou o debate na CUNY e entrevistou Iglesias para o programa independente Democracy Now, apresentou o líder do Podemos como “o próximo primeiro ministro espanhol”.

Para explicar a trajetória do Podemos, Goodman citou Gandhi: “Primeiro eles ignoram-te, depois riem-se de ti, depois combatem-te e depois tu vences”.

Durante a entrevista, a diretora do Democracy Now questionou Iglesias sobre as primeiras medidas que o Podemos adotará caso venha a chefiar o governo espanhol:

“Em primeiro lugar, queremos acabar com os despejos. E isto é bastante fácil. Usando a lei europeia, poderíamos travá-los na primeira semana. Creio que é muito importante promover uma reestruturação da dívida. É impossível para um governo assumir o atual nível da dívida. E uma reforma fiscal. No meu país só pagam impostos as médias e pequenas empresas e os trabalhadores. Os ricos, as empresas mais ricas, têm muito pouca pressão fiscal”, esclareceu Pablo Iglesias.

Encontro com Stiglitz foi “inspirador”

O líder Podemos iniciou a sua visita a Nova Iorque esta segunda-feira com uma reunião com o Prémio Nobel da Economia Joseph Stiglitz.

Para Iglesias, este encontro foi “inspirador": "Guardo o comentário de Stiglitz de que na comunidade de economistas a nível mundial ninguém defende as políticas de austeridade, com algumas exceções na Alemanha. Uma reunião como esta reforça-nos muitíssimo na nossa convicção de que é possível fazer as coisas de outra forma. Foi inspirador, voltamos com as pilhas carregadas".

Durante o encontro com o Nobel da Economia, Pablo Iglesias defendeu que o BCE deve "deixar de ser um lobby dos poderes financeiros, e ajudar mais os Estados a cumprir as suas obrigações com os cidadãos".

"Uma instituição como o BCE não pode estar ao serviço dos bancos, em vês de ao serviço dos cidadãos", destacou.

Segundo Iglesias, foi consensual durante o encontro com Stiglitz que os "três grandes problemas" na Espanha e Europa do Sul são "a dívida, o desemprego e a desigualdade" e que, por outro lado, "está claro que as políticas de austeridade não contribuíram para resolver estes problemas".

Termos relacionados Internacional
(...)