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Diretores do Hospital Amadora-Sintra demitem-se devido à degradação das condições de trabalho

28 diretores de serviço do Hospital Amadora-Sintra demitem-se em bloco, devido à diminuição da qualidade de assistência aos doentes e à falta de recursos humanos. O diretor clínico, duramente criticado pelos diretores de serviço, também já se demitiu.
Protesto dos utentes do hospital Amadora Sintra. Foto André Beja

Em carta enviada ao Presidente do Conselho de Administração do Hospital Amadora-Sintra, com conhecimento do ministro da Saúde e do Bastonário da Ordem dos Médicos, na passada quarta-feira, 11 de fevereiro, 28 dos 33 diretores de serviço do hospital colocam os seus cargos de direção à disposição do Conselho de Administração “face à ausência de uma estratégia para evitar a contínua degradação das condições de trabalho do hospital e dos serviços que lideram”. (aceda à carta, divulgada pelo Sindicato Independente dos Médicos - SIM)

Os clínicos denunciam que, nos últimos dois anos, assistiram a “uma progressiva degradação da capacidade de resposta às adversidades e a uma diminuição da qualidade assistencial”.

Na carta é também salientado que se assistiu a “uma saída preocupante de recursos humanos qualificados que não foram substituídos”, que “tem sido notória a incapacidade de contratação de profissionais de várias áreas clínicas” e que “tem havido ausência de resposta em especialidades fundamentais para manter uma actividade assistencial qualificada”.

Os diretores assinalam também que “na vertente cirúrgica, a redução dos tempos operatórios irão condicionar o aumento das listas de espera, a redução de proveitos do Hospital, condenando-o à insolvência económico-financeira”.

Na carta destaca-se que os aspetos que referem “têm um reflexo muito negativo na capacidade formativa de jovens médicos”.

Os diretores que subscreveram a carta acusam a direção clínica de “uma total incapacidade em assumir o papel que deveria ter como interlocutor entre a Administração e o corpo clínico”, de “tentar implementar uma série de ideias avulsas, sem qualquer sentido ou estratégia, e por desrespeitar, quase sistematicamente as competências e as hierarquias dos Serviços”.

O bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, declarou à Lusa, que "há muito tempo que deveria ter havido substituição da administração e da direção clínica" do Hospital Amadora-Sintra e lamentou que não tenha sido tomada “nenhuma atitude profilática no sentido de substituir a direção clínica e o conselho de administração".

José Manuel Silva sublinhou que a atitude do ministro "significa que avaliza todas as decisões do conselho de administração” e realçou que "foi em defesa do hospital, em defesa dos doentes que os diretores de serviço tomaram esta atitude frontal e corajosa de dizer basta”, como já o tinham feito, no final do ano passado, os chefes de urgência geral do Hospital Amadora-Sintra.

Entretanto, foi também divulgado que o diretor clínico do Hospital, Nuno Alves, se demitiu e que está previsto para quarta-feira o anúncio de nova direção clínica.

No protesto dos utentes do Hospital Amadora-Sintra, em 29 de janeiro passado, a porta-voz do Bloco, Catarina Martins, salientou que a falta de condições deste hospital mostra as consequências dos cortes na Saúde.

Catarina Martins acusou então o Governo de "fazer de conta que se podia cortar no SNS sem cortar nas pessoas. Mas está bem à vista que isso não era verdade".

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