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Grécia: naufrágio do Eurogrupo, a tensão sobe!

O governo Syriza está atualmente encostado contra a parede pela decisão do BCE de cortar a principal fonte de financiamento dos bancos gregos. Mas o apoio popular ao governo atingiu níveis recordes, dentro e fora do país. Por Stathis Kouvelakis
O apoio popular ao governo do Syriza atingiu níveis recordes, dentro e fora do país - Foto de left.gr

Conforme amplamente antecipado pelos meios de comunicação e pela Bolsa de Atenas (-4% hoje), a reunião de ministros das Finanças terminou num fracasso e até mesmo num fracasso retumbante. O tom do comunicado oficioso do governo grego, repercutido em todos os meios de comunicação, é extremamente duro: “A insistência de certos círculos para que o novo governo grego implemente o memorando é absurda e inaceitável. A implementação do programa do memorando não está formalmente na agenda desde o último Conselho Europeu. Aqueles que voltam a esta questão estão a perder o seu tempo”.

Esta linguagem é totalmente inabitual neste tipo de contexto. Mas é preciso dizer que, mesmo antes do início da reunião, o Sr. Schäuble tinha feito comentários particularmente insultuosos, até mesmo para os seus próprios padrões, afirmando que "estava desolado com os gregos, porque o seu governo está a comportar-se de forma irresponsável" . Ele ameaçou em termos velados a expulsão da Grécia da zona euro "se não cumprir as exigências mínimas" (the minimum of the claims) e acusou o governo de agir “como se jogasse uma grande partida de poker”. A resposta do porta-voz do governo grego, Gabriel Sakellaridis, não tardou! "do meu lado, eu também poderia dizer que acho a atitude do governo alemão irresponsável".

Lembre-se que o governo Syriza está atualmente encostado contra a parede pela decisão do BCE de cortar a principal fonte de financiamento dos bancos gregos. Mas o apoio popular ao governo atingiu níveis recordes, dentro e fora do país, como mostraram as manifestações e concentrações ontem em todo o país e em dezenas de cidades europeias.

No plano interno, a forte oposição dentro do Syriza à proposta, considerada provável, de uma candidatura à presidência da República de Dimitris Avramopoulos, atual comissário europeu, ministro em vários governos de direita e figura da ala "centrista/moderada" da Nova Democracia, levou ao adiamento da decisão até amanhã à noite, após a reunião do grupo parlamentar do partido. A reunião de ontem do secretariado político do Syriza permitiu constatar que essa proposta, que Alexis Tsipras deveria anunciar na noite passada, esbarrou com uma oposição maioritária, muito para além das fileiras da única plataforma de esquerda.

Em duas palavras, e sem qualquer originalidade, nem surpresa:

"A luta continua!"

Artigo de Stathis Kouvelakis publicado na sua página no facebook. Tradução para português de Carlos Santos

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