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PSD garante nomeações no IEFP

Esta semana ficamos a saber que os concursos públicos para a Segurança Social foram uma invenção à moda da direita portuguesa: trezentos candidatos, cem entrevistas e no final ganham os do PSD e CDS.

Este tipo de aparelhamento das funções basilares do Estado é uma marca profunda do regime, que expõe a contradição entre o discurso meritocrático matraqueado pelos seus dirigentes e uma prática que tem tanto de clientelista como de reprodutiva. Servem-se a si mesmos e ao fazê-lo reproduzem uma estrutura de poder, no caso os partidos que governam Portugal há quatro décadas.

O caso do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) é exemplificativo. Este organismo tem sido exímio na propaganda do empreendedorismo e do esforço pessoal como via para resolver o desemprego. Todavia, quando observamos a composição dos seus órgãos dirigentes, mais do que carreiras, vemos carreiros.

Em dez dos cargos superiores responsáveis pelos centros regionais do IEFP, seis são ocupados por dirigentes do PSD. São os casos de César Ferreira, ex-autarca do PSD Porto e agora delegado regional do Norte, de José Licínio Tavares Pimenta, candidato pelo PSD à Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha que ocupa atualmente o cargo de subdelegado regional do Centro, e ainda do delegado regional de Lisboa e Vale do Tejo, Vítor Gil, ex-membro da Assembleia Municipal de Tomar na lista liderada por Miguel Relvas.

Destacam-se ainda o subdelegado regional do Norte, João Carlos Sarmento, que foi deputado municipal e vereador do PSD em Alfândega da fé, e o atual delegado regional do Alentejo, José Palma Rita, presidente da secção de Évora do PSD.

Todos estes dirigentes apresentaram-se a concurso público. São vencedores no seu próprio jogo.

Artigo publicado no blogue Inflexão

Sobre o/a autor(a)

Sociólogo, dirigente do Bloco de Esquerda e ativista contra a precariedade.
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