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“E quanto nos custa não sermos solidários com a Grécia?”

Catarina Martins criticou o "extremismo perigoso" das declarações de Passos Coelho e Cavaco Silva. A sessão pública “Hora de apoiar a Grécia” juntou esta quinta-feira em Lisboa vozes solidárias com o governo de Alexis Tsipras.
Foto Paulete Matos

No encerramento da sessão pública “Hora de apoiar a Grécia”, realizada na Casa do Alentejo em Lisboa, a porta-voz do Bloco saudou “o fim do cheiro a bafio” do Eurogrupo e do Conselho Europeu com a vitória do Syriza. Agora a política já não é discutir as flutuações das décimas dos défices, mas discutir o que faz uma Europa em que 50% dos jovens estão desempregados”.

Catarina Martins apontou “o resgate da democracia” como a grande mudança das últimas semanas: “O contador está a zero. Estamos mesmo a discutir as nossas vidas e há vida para além da austeridade”. Ao mesmo tempo, condenou o extremismo perigoso de alguns governos europeus, como o português, ao perguntarem quanto custa a solidariedade com a Grécia, “os milhões que saem dos bolsos dos portugueses, como diz Cavaco Silva”.

Sala cheia na Casa do Alentejo, em Lisboa.

“Sabemos que o ódio tem um rastilho curto e uma história longa na Europa. Sabemos que não podemos tolerar que nenhum governante da Europa e muito menos um governante português nos venha perguntar quanto custa a solidariedade com a Grécia. A pergunta é a contrária: Quanto nos custa não sermos solidários com a Grécia”, concluiu Catarina Martins.

Na sua intervenção, o economista José Castro Caldas defendeu que numa conferência europeia sobre a dívida Portugal até teria mais a ganhar do que a Grécia, pelo que o comportamento de Passos Coelho ao recusá-la se pode caracterizar como “pouco racional”. Castro Caldas diz que o mesmo acontece com as declarações de Cavaco Silva, uma vez que em caso de “colisão” da Grécia com o resto dos países da UE, “Portugal seria a vítima mais imediata”.

Jose Castro Caldas

“Em vez de tentarem evitar essa colisão, os responsáveis portugueses parecem estar a instigá-la”, o que para Castro Caldas significa que “o Governo e a Presidência da República se transformaram numa ameaça e um perigo para o seu próprio país”. Por isso, concluiu que “talvez a melhor forma de demonstrarmos solidariedade com a Grécia seria remover o mais depressa possível da mesa do Conselho Europeu este nosso governo”.

Luísa Teotónio Pereira, dirigente da ONG Cidac - Centro de Informação e Documentação Amílcar Cabral, falou da importância da solidariedade entre os povos e da sua exigência, não importa as dificuldades que se atravessem no caminho ou o tempo que demora a conseguir resultados, dando o exemplo da prolongada e sofrida luta do povo sarauí. “Estamos aqui a dar corpo à esperança que passa pela solidariedade com a Grécia neste momento histórico” defendeu Luísa Teotónio Pereira, acrescentando que na sua busca pela alternativa à austeridade “o governo grego tem demonstrado coerência com as suas propostas eleitorais, coragem para as defender e ao mesmo tempo espírito de diálogo para encontrar uma solução comum com os povos europeus”.

Luísa Teotónio Pereira

O realizador António Pedro Vasconcelos foi outro orador desta sessão pública e alertou os presentes que “o que se está a passar na Grécia é provavelmente a última chance da diplomacia evitar a guerra” e o “desmembramento da União Europeia”. “Quem disparar primeiro, provavelmente mata o adversário e a seguir morre”, prosseguiu o cineasta, esperando que os seus “heróis” - Tsipras e Varoufakis - “sejam frios e saibam negociar”. “Esperemos que sejam apoiados até ao fim pelo povo grego, porque isso sim é uma revolução”, considerou, apelando à solidariedade com este povo “que já não tem nada a perder” e que ganhou muito na última semana, “ao pôr a Europa em alerta”, obrigando os seus líderes a sentarem-se à mesa para discutir a situação.

António Pedro Vasconcelos

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