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Tsipras: “O memorando pertence ao passado. A troika também”

No final da sua primeira cimeira europeia, o primeiro-ministro grego saudou o “passo em frente” nas negociações.
Alexis Tsipras insistiu em procurar compromissos que não ponham em causa o combate à crise humanitária que a austeridade provocou na Grécia.

A Ucrânia e o terrorismo ocuparam boa parte da agenda do Conselho Europeu, a par da situação na Grécia. Na sua estreia como primeiro-ministro eleito numa cimeira de chefes de Estado e de governo, Alexis Tsipras  destacou que “foram dados passos importantes que mostram que a UE se forma através de enfrentamentos e compromissos”.

“Dissemos aos nossos parceiros que cinco anos de ajustamento conseguiram acabar com os défices, mas também causaram um enorme problema humanitário. Não temos intenção de regressar aos défices do passado, queremos seguir as regras da UE, mas alguma coisa tem de ser feita”, afirmou Tsipras aos jornalistas ao fim as sete horas de reunião.

O governo grego conseguiu chegar a um acordo com FMI, BCE e Comissão Europeia para que as equipas técnicas designadas por cada uma das partes possam dar início a partir de sexta-feira à busca de pontos em comum na discussão de um novo plano. Na reunião de segunda-feira dos ministros das Finanças do Eurogrupo, os avanços nesse trabalho serão avaliados. "Se houver acordo técnico, é porque houve acordo político", garante Alexis Tsipras.

“A Grécia não chantageia mas também não será chantageada. Demos um passo em frente e continuaremos nos próximos dias. O Memorando de Entendimento, tal qual o conhecemos, pertence ao passado. E a troika também”, prosseguiu Tsipras.

O primeiro-ministro grego recordou que no seu país “há gente sem comida e sem eletricidade. Não é uma questão de políticas, é uma questão de civilização”, pelo que o seu governo, ao contrário do anterior, “só avançará com reformas com que estejamos de acordo”, insistiu.

“Rajoy não devia trazer os seus problemas internos para aqui”

Enquanto a imprensa internacional destaca as posições dos governos de Mariano Rajoy e Passos Coelho como sendo as mais duras contra as propostas gregas, uma fonte próxima de Atenas já tinha comentado essas posições como sendo justificadas por “assuntos de política interna”.

Na conferência de imprensa, um jornalista espanhol questionou Alexis Tsipras sobre a atitude de Mariano Rajoy, que antes elogiara as “magníficas” condições de financiamento e solidariedade dos memorandos da troika. Ao que o primeiro ministro grego respondeu que viu Rajoy “um pouco nervoso durante a cimeira, especialmente na parte relativa à Grécia”. “Acho que ele está enganado. Não devia trazer para aqui os seus problemas internos. Essa é uma abordagem errada. Os problemas internos deviam ser resolvidos em Espanha com políticas que sejam aceites pelos cidadãos espanhóis”, declarou Alexis Tsipras. A referência aos "problemas internos" foi lida na imprensa espanhola como uma alusão ao avanço do Podemos em todas as sondagens, chegando a ultrapassar o partido do governo nas preferências dos eleitores espanhóis.

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