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Krugman diz que na Grécia há um genuíno governo de esquerda

Economista afirma que ao contrário dos anteriores, o gabinete de Tsipras não irá humilhar-se abandonando as promessas de campanha em nome da “responsabilidade”, porque os seus membros não querem ficar nas boas graças do grupo de Davos e só respondem diante do povo grego.
Krugman: "Alexis Tsipras nunca irá fazer parte da direção de um banco, nem será comissário europeu". Foto de Prolineserver (talk)
Krugman: "Alexis Tsipras nunca irá fazer parte da direção de um banco, nem será comissário europeu". Foto de Prolineserver (talk)

Na sua coluna de opinião no The New York Times desta segunda-feira, Paul Krugman, Nobel da Economia de 2008, afirma que as relações diplomáticas entre as novas autoridades de Atenas e os credores não têm melhorado, em parte porque estes últimos ainda esperam que, no último momento, o governo do Syriza se humilhe “e abandone abjetamente as suas promessas de campanha em nome da responsabilidade”, tal como “aconteceu repetidas vezes nos últimos cinco anos”. Mas agora, a dinâmica é muito diferente, defende o economista.

Normalmente, explica Krugman, citando o jornalista e filósofo Matthew Yglesias, pensar-se-ia que o objetivo primeiro de um primeiro-ministro seria conduzir a sua política de forma a ser reeleito. Mas em tempo de de Globalização e de UE, para os “líderes de pequenos países, passou a ser mais importante sair do governo tendo ganho a estima do grupo de Davos, porque assim sempre haverá à sua espera um cargo na Comissão Europeia ou no FMI, mesmo que o eleitorado do país o despreze. Mais, diz, o desprezo do seu eleitorado até pode constituir um ponto a favor aos olhos desta “comunidade internacional”. O autor não cita exemplos, mas para um leitor português é impossível não pensar em Vítor Gaspar, Durão Barroso ou Vítor Constâncio.

Um genuíno governo da esquerda

Mas, sublinha Paul Krugman, o governo grego atual é um genuíno governo da esquerda, e não de centro-esquerda, não por ter ideias malucas, mas sim porque os seus membros nunca vão ganhar os favores do grupo de Davos. Alexis Tsipras nunca irá fazer parte da direção de um banco, nem será comissário europeu. “Varoufakis nem sequer gosta de usar gravatas – o que, conscientemente ou não, é uma forma de declarar visualmente que não vai jogar de acordo com o habitual. Os novos líderes gregos terão sucesso ou fracasso, pessoalmente, baseados no que acontece na Grécia; não terão prémios de consolação pelo fracasso”.

E isso faz uma enorme diferença, conclui o economista, que se questiona: será que Bruxelas e Berlim entendem isto?

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