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Computadores de todo o mundo ao alcance da espionagem britânica

A proposta do código de conduta para recolha de informações admite que Londres já tem a capacidade de recolher ficheiros informáticos, mesmo que não tenham sido partilhados com ninguém.
A agência de espionagem britânica GCHQ Foto George Rex/Flickr

Segundo o diário Guardian, o documento divulgado esta sexta-feira pelo governo de David Cameron, que define as regras a seguir pelos espiões informáticos em computadores fora do Reino Unido, revela que os serviços de espionagem têm capacidade de ultrapassar os sistemas de encriptação dos operadores, e assim alcançar e recolher qualquer ficheiro informático de computadores ligados à internet, mesmo que não tenham sido partilhados com ninguém.

David Cameron tinha prometido aos deputados que deixaria de existir “espaço seguro” para os suspeitos de terrorismo ou crimes graves que escapassem à vigilância online. As novas regras incluem a capacidade de usar os computadores ou telemóveis alvo dos espiões-hackers, usando as suas câmaras ou microfones e recolhendo todo o seu conteúdo - não apenas as chamadas telefónicas ou emails como até aqui.

Para Carly Nyst, da Privacy International, “o GCHQ não pode tentar legitimar as suas atividades contrárias à lei ao simplesmente publicar códigos de conduta sem valor legal. Em especial, o uso do “hacking” pelas agências de espionagem - uma forma de vigilância incrivelmente intrusiva - não pode agora entrar pelas traseiras através dum código de conduta que não foi submetido nem ao escrutínio parlamentar nem ao judicial”.

A publicação destas regras de conduta deve-se ao escândalo da recolha em massa de dados pelos espiões do GCHQ em conjunto com os norte-americanos da NSA, uma ação ilegal que ocorreu durante mais de sete anos até ser revelada por Edward Snowden.

Para Carly Nyst, da Privacy International, “o GCHQ não pode tentar legitimar as suas atividades contrárias à lei ao simplesmente publicar códigos de conduta sem valor legal. Em especial, o uso do “hacking” pelas agências de espionagem - uma forma de vigilância incrivelmente intrusiva - não pode agora entrar pelas traseiras através dum código de conduta que não foi submetido nem ao escrutínio parlamentar nem ao judicial”.

Por outro lado, “não será por acaso que este código de conduta aparece poucos dias antes do GCHQ ir a tribunal discutir a legalidade das suas atividades de pirataria informática”, acrescentou ao Guardian.

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