You are here

Passos Coelho: salvar vidas, “mas não custe o que custar”

Referindo-se à doente de hepatite C que faleceu por não ter tido acesso a medicamento, primeiro-ministro diz que “é mentira que custe o que custar, no sentido em que tenhamos os recursos ilimitados para suportar qualquer preço de mercado, isso não existe”. Bloco exige que o ministro da Saúde esclareça o País.
Passos Coelho: qual o valor de uma vida, se não é o custe o que custar? Foto de European People's Party
Passos Coelho: qual o valor de uma vida, se não é o custe o que custar? Foto de European People's Party

Passos Coelho afirmou esta quarta-feira que os Estados devem "fazer tudo o que está ao seu alcance para salvar vidas humanas" mas não "custe o que custar". Para o primeiro-ministro, “é mentira que custe o que custar, no sentido em que tenhamos os recursos ilimitados para suportar qualquer preço de mercado, isso não existe nem em Portugal nem em lado nenhum do mundo", sublinhou.

Tal como defendeu o ministro da Saúde, Paulo Macedo, o primeiro-ministro salientou que é necessário continuar a negociar com as farmacêuticas. "Não depende só de nós", afirmou. Estas declarações foram dadas após a notícia da morte de uma mulher de 51 anos que tinha hepatite C, devido a não ter recebido o medicamento "Sofosbuvir".

Mas para José Manuel Silva, bastonário da Ordem dos Médicos, “o medicamento é caro. De qualquer forma o preço que tem sido veiculado pela comunicação social não corresponde àquele que está em cima da mesa, que é substancialmente inferior”.

Empresa diz que paciente poderia ter recebido o medicamento de graça

Na manhã desta quinta-feira, a farmacêutica Gilead, detentora do medicamento "Sofosbuvir", afirmou, em comunicado, que a doente que morreu vítima da doença podia ter tido acesso ao fármaco sem qualquer custo para o Estado. Na nota enviada à agência Lusa, a Gilead disse nunca ter recebido qualquer nota de encomenda para o uso do medicamento na mulher de 51 anos, cujo filho foi esta quarta-feira confrontar o ministro no Parlamento, apesar de o laboratório o ter disponibilizado.

A Gilead diz que foi acordado com o Ministério da Saúde o acesso sem custos ao medicamento para a hepatite C para os 100 doentes mais urgentes.

A Gilead diz ainda que, no dia 16 de janeiro, foi acordado com o Ministério da Saúde o acesso sem custos ao medicamento para a hepatite C para os 100 doentes mais urgentes.

Helena Pinto: Paulo Macedo tem de esclarecer o País

Bloco de Esquerda, PCP e PS querem o regresso do ministro Paulo Macedo ao Parlamento para dar explicações sobre a recusa do Serviço Nacional de Saúde em ministrar o medicamento e salvar a vida da paciente.

Helena Pinto, do Bloco de Esquerda, declarou que “o inquérito [que o ministro anunciou] tem de ser ultrarrápido e amanhã [quinta-feira] o ministro tem de esclarecer o país”, afirmou.

Artigos relacionados: 

Termos relacionados Sociedade
Comentários (1)