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Presidência da República desmente Cavaco Silva

Cavaco Silva afirmou nesta sexta-feira que nunca fez declarações sobre o BES. O site da Presidência da República desmente estas afirmações e prova que, em julho de 2014, Cavaco Silva afirmou, nomeadamente, “que os portugueses podem confiar no Banco Espírito Santo”, citando e avalizando a atuação do Banco de Portugal.
Em 21 de Julho de 2014, Cavaco Silva afirmou que “os portugueses podem confiar no Banco Espírito Santo”, apoiando-se para isso nas declarações do Banco de Portugal

Cavaco Silva afirmou ontem, dirigindo-se aos jornalistas: “Eu já reparei que alguns dos senhores e alguns políticos disseram e escreveram que o Presidente da República fez alguma declaração sobre o BES. É mentira! É mentira! Alguns evocam uma declaração que eu fiz na Coreia. Na Coreia eu fiz três afirmações sobre o Banco de Portugal e mais nada”. (aceda aqui à reportagem da SIC)

Verifique-se então o que diz o site da Presidência da República. Desde logo o título da notícia não deixa margem para dúvidas e contradiz o que afirmou nesta sexta-feira Cavaco Silva: “Transcrição da resposta do Presidente da República a perguntas de jornalistas sobre o Grupo Espírito Santo”.

Na declaração de 21 de Julho de 2014, transcrita nesta notícia do site da Presidência da República, Cavaco Silva afirma que “os portugueses podem confiar no Banco Espírito Santo”, apoiando-se para isso nas declarações do Banco de Portugal (“o Banco de Portugal tem sido perentório, categórico”), que Cavaco apoia e louva “considero que a atuação do Banco e do Governador tem sido muito, muito correta”.

Mas Cavaco Silva vai mesmo mais longe nessa declaração e diz que, “num encontro que tive com um jornalista”, “procurei explicar-lhe, e penso que o convenci, a diferença entre a área financeira do Grupo Espírito Santo e a área não financeira”, sublinhando que “o Banco de Portugal, desde há algum tempo, tem vindo a tomar medidas para isolar o banco, a parte financeira, das dificuldades financeiras da zona não financeira do grupo”.

Cavaco Silva pronunciou-se ainda sobre os efeitos da crise do GES na economia portuguesa, afirmando “haverá sempre alguns efeitos mas eu penso que não vêm do lado do Banco, vêm da área não financeira”.

Cavaco Silva fez a declaração nesta sexta-feira para se recusar a prestar declarações à comissão parlamentar de inquérito do BES, a que seria obrigado. Porém, a maioria governamental, o PSD e o CDS, já vieram dizer que apoiam a recusa do presidente e vão chumbar na Assembleia da República a audição de Cavaco Silva na comissão de inquérito do BES.

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