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Varoufakis: "Quanto mais cedo se restruturar a dívida portuguesa, melhor"

O novo ministro das Finanças grego foi um dos apoiantes do Manifesto dos 74 pela restruturação da dívida portuguesa. O esquerda.net recorda as suas declarações acerca da situação de Portugal.
Yanis Varoufakis subscreveu o manifesto dos 74 economistas de 20 países em apoio da restruturação da dívida portuguesa.

Numa entrevista ao Expresso em março de 2014, Yanis Varoufakis apelidou o programa da troika subscrito por Sócrates, Passos Coelho e Paulo Portas como  três anos de "prolongamento e de faz de conta". "O programa da troika falhará com toda a probabilidade, na medida em que, na verdade, nunca foi sequer desenhado para ter sucesso", defendeu o economista agora chamado por Alexis Tsipras para negociar a restruturação da dívida grega à mesa da União Europeia e confrontar Berlim e Bruxelas com o fracasso da receita de austeridade.

"Quando a reestruturação de dívida é essencial, quanto mais cedo for implementada melhor", apontava Varoufakis, dizendo ser essa foi a razão de ter subscrito o manifesto “Reestruturar a dívida insustentável e promover o crescimento, recusando a austeridade”, subscrito por 74 economistas de 20 países em apoio aos “esforços dos que em Portugal propõem a reestruturação da dívida pública global”.

Ao constatar que as dívidas públicas de Portugal e da Grécia ficaram ainda menos sustentáveis após os programas da troika, Varoufakis defendia que a restruturação da dívida "é o dever moral de um governo em relação ao seu povo", uma vez que o simples alargamento das maturidades ou pequena descida dos juros "apenas estende a crise para o futuro".

Ao constatar que as dívidas públicas de Portugal e da Grécia ficaram ainda menos sustentáveis após os programas da troika, Varoufakis defendia que a restruturação da dívida "é o dever moral de um governo em relação ao seu povo", uma vez que o simples alargamento das maturidades ou pequena descida dos juros "apenas estende a crise para o futuro".

O novo ministro das Finanças da Grécia já apontava na altura algumas formas de minimizar o custo político da restruturação para a Alemanha e outros países que se têm oposto ferozmente à proposta. "Por exemplo, o governo português pode lançar novos títulos indexados ao crescimento com o mesmo valor da parte da dívida pública que é detida pelo Mecanismo Europeu de Estabilização e pelo Banco Central Europeu e usá-los para pagar de volta na totalidade a essas duas entidades", propôs Varoufakis. Como o pagamento dos títulos ficaria adiado enquanto o crescimento do PIB estivesse abaixo de um determinado nível, a solução traduzir-se-ia  "num 'corte de cabelo' cuja magnitude está relacionada inversamente com o crescimento".

"Adiar uma reestruturação inevitável da dívida só piora o problema, e ainda mais quando se realiza um resgate que se destina basicamente a mudar os maus ativos das contas dos bancos para os contribuintes", como foi feito na Grécia em 2012, concluiu o economista que na próxima semana irá percorrer vários países para apresentar a sua proposta de uma solução europeia para o problema das dívidas soberanas de países como a Grécia e Portugal.

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