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Contra a chantagem, derrotar a austeridade

Seja no governo central seja em muitas autarquias, a privatização do que deve ser público é regra para a resolução de todos os problemas que surgem. É uma chantagem sobre as pessoas, cada vez mais armadilhada e embrulhada em falsos argumentos e campanhas que invertem a questão.

Vejamos a situação dos hospitais e saúde pública: as pessoas não morrem nas urgências de um hospital porque este é público. Não há médicos de família para grande parte da população porque o SNS é público. As listas de espera não são intermináveis porque a gestão é pública.

Todos estes problemas acontecem não pelo facto de o SNS ser público mas decorrem, sim, das medidas de austeridade que assombram o país. Há falhas de resposta nos hospitais e centros de saúde, que culminam em situações absolutamente vergonhosas, porque não há investimento na saúde mas sim um desinvestimento, uma desagregação da coisa pública que resulta no mau funcionamento ou na falta de médicos e enfermeiros.

As falhas decorrem de uma escolha política clara: a austeridade. E tudo para fazer deste serviço mais apetecível para os privados e, ao mesmo tempo, iludir as pessoas de que, eventualmente, essa seria a única solução. Mas, a história o diz, o privado tem na sua essência a busca de mais lucro, algo incompatível com a gestão da coisa pública, para benefício de todos e todas.

E há que resistir à chantagem que se está a colocar no âmbito da saúde, mas também, por exemplo, dos transportes. O direito à mobilidade é algo essencial para uma população e que não seja por falta de exemplos de gestão privada que nos vamos enganar: uma gestão privada de um sistema de transportes não beneficia quem necessita deles.

Apesar do ataque mais cerrado à saúde e aos transportes públicos nos últimos tempos, o governo e as medidas austeritárias mais papistas que o papa que são implementadas atacam tudo o que decorre de direitos essenciais ao desenvolvimento de uma sociedade: educação e segurança social, por exemplo, são mais dois alvos a abater pela austeridade.

E porque basta de atacarem aquilo que pertence a todos e todas e porque a chantagem e o ataque têm que terminar, uma campanha contra a austeridade faz todo o sentido no momento em que vivemos. O Tratado Orçamental é a “bíblia” da austeridade daqui para a frente e a desvinculação de Portugal ao mesmo é condição absolutamente necessária para que possamos pensar em recuperação ou viragem.

Este tratado é o que dita aquilo que nos vão roubar nos próximos meses no salário e por onde mais vão cortar até que não haja saúde, educação ou transportes públicos. É um garrote que só tem como objetivo ser apertado mais e mais.

E cabe-nos a nós, enquanto Bloco de Esquerda, e a todos e todas que se queiram juntar acabar com esta chantagem e com este instrumento que destrói em vez de construir novos caminhos. Alternativas e novos caminhos têm que ser construídos com as pessoas e para as pessoas, sem muitas complicações, mas com muita clareza nos objetivos: acabar com a austeridade e devolver às pessoas o que é seu, a vida, a dignidade, os direitos.

Sobre o/a autor(a)

Deputada e dirigente do Bloco de Esquerda. Licenciada em Ciências Políticas e Relações Internacionais e mestranda em Ciências Políticas
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