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Memórias: Proudhon morreu há 160 anos

No dia 19 de janeiro de 1865, morreu, em Passy (França), Pierre-Joseph Proudhon, filósofo e economista político que seria considerado um dos mais influentes teóricos do anarquismo. Por António José André.
Pierre-Joseph Proudhon fotografado por Tournachon em 1862 – Foto wikipedia

Proudhon tinha nascido a 15 de janeiro de 1809 e era de origem humilde. Começou a trabalhar numa tipografia, onde teve contactos com liberais e socialistas - representantes das mais importantes correntes políticas da época.

Licenciou-se na faculdade de Besançon e foi para Paris, em 1838. Publicou o seu primeiro trabalho “O que é a propriedade?” (1840). Afirmava-se socialista, criticando a propriedade privada e sustentando que a exploração da força de trabalho alheia era um roubo.

O livro atraiu o interesse de Karl Marx, que o classificou como socialista utópico. Os dois corresponderam-se e chegaram a encontrar-se, em Paris, mas a amizade chegou ao fim, quando Marx respondeu ao “Sistema das Contradições Económicas” de Proudhon com “A Miséria da Filosofia” (1847).

A disputa entre os dois, tornou-se uma das origens da divisão entre marxistas e anarquistas nas reuniões da Associação Internacional dos Trabalhadores. Proudhon era favorável às cooperativas e à propriedade coletiva dos meios de produção, opondo-se à nacionalização da terra e das empresas.

Proudhon participou na Revolução de 1848 e esteve preso, por causa das suas críticas a Napoleão III, entre 1849 e 1852. Escreveu “Ideia Geral de Revolução no Século XIX” (1851), expondo a sua visão duma sociedade federalista mundial, sem governo central e baseada em comunas autogeridas.

As ideias de Proudhon espalharam-se por toda a Europa, influenciando organizações de trabalhadores e os movimentos sindicais da Rússia, Itália, Espanha e França. O legado teórico de Proudhon foi retomado por outros autores: Bakunin, Kropotkin, Malatesta, Emma Goldman…

Em “Confissões de um Revolucionário”, Proudhon afirmava que a anarquia é ordem, expressão que durante a Guerra Civil Espanhola inspiraria o símbolo A de anarquia dentro dum círculo que simboliza o O de ordem.

Artigo de António José André para esquerda.net

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