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Bloco apresenta candidatura própria às eleições na Madeira

A proposta do Bloco de Esquerda/Madeira foi aprovada sem votos contra pela Mesa Nacional. Catarina Martins lamenta que a proposta do PS/Madeira esteja “nos antípodas da coligação ‘Mudança’ que venceu no Funchal”.
Catarina Martins e Roberto Almada, coordenador do Bloco/Madeira. Foto Homem de Gouveia/Lusa

Sem votos contra e com três abstenções, a Mesa Nacional do Bloco de Esquerda aprovou uma resolução na sequência da proposta da Assembleia de aderentes do Bloco na Madeira, que prevê a apresentação de uma candidatura do partido às eleições regionais antecipadas com a saída de Alberto João Jardim da liderança do PSD/Madeira.

Na reunião deste domingo, que contou com a presença do coordenador regional Roberto Almada, a direção bloquista discutiu a situação política madeirense. Catarina Martins sublinhou “a situação excecional, no pior sentido, que se vive há 40 anos na Madeira” e o papel do atual líder do PSD/Madeira, Miguel Albuquerque, nesse período.

Referindo-se à “farsa da sucessão no PSD/Madeira, que se mantém o que sempre foi, com os mesmos protagonistas e a mesma relação dúbia com a democracia”, a porta-voz do Bloco recordou que “durante duas décadas, Miguel Albuquerque conviveu e apoiou o jardinismo, foi cúmplice do clientelismo, da corrupção e da falta de liberdades na Madeira”.  

O Bloco de Esquerda sempre procurou juntar forças para tirar o PSD/Madeira do poder e Catarina Martins destacou o exemplo das últimas autárquicas: “Orgulhamo-nos da nossa participação na coligação “Mudança” que conseguiu tirar ao PSD a autarquia do Funchal”.

Nas conversações políticas mantidas na oposição madeirense sobre as próximas eleições regionais, o Bloco concluiu que “lamentavelmente, a proposta do PS está nos antípodas da coligação ‘Mudança’: o programa político não oferece condições de rotura e mudança, e não teve a abertura do ponto de vista dos protagonistas para existir a pluralidade e a base social necessária para dar força a essa alternativa” considera Catarina Martins. “Parece que o PS considera que os outros partidos podem ser instrumentalizados para o apoio a uma candidatura do PS encabeçada pelo seu líder regional”, concluiu.

“O PS recusa sequer debater propostas sobre o offshore da Madeira”, prosseguiu a porta-voz do Bloco, para quem este é um dos aspetos essenciais de uma alternativa política para a Região. “Na Madeira há uma dupla austeridade e a população da Madeira é sujeita a cortes reforçados. Nesta situação, a existência de um privilégio ao setor financeiro que utiliza a Madeira como ponto de lavagem de dinheiro não permite a construção de uma alternativa”, resumiu, dizendo tratar-se de uma situação que “envergonha a população da Madeira e não traz um ganho efetivo a quem lá vive”. Também este domingo, o líder do PS/Madeira, Vítor Freitas, enviou um comunicado de imprensa a garantir que uma coligação liderada pelo seu partido irá defender o offshore da Madeira. Freitas argumenta que o Centro Internacional de Negócios da Madeira garante empregos qualificados aos madeirenses e contribui com 130 milhões de euros para o Orçamento Regional.

Nas próximas eleições, o Bloco/Madeira apresenta-se com propostas em torno do combate à corrupção, defesa dos serviços públicos fortes e fim dos privilégios à finança. “Fomos o partido que mais denunciou a corrupção e o clientelismo na Assembleia Legislativa da Madeira. Os madeirenses sabem que o Bloco faz falta no parlamento regional”, afirmou Catarina Martins, segura de que os votos recolhidos irão contribuir “para o fim da maioria absoluta do PSD e também para um pólo anti-austeridade, pela democracia e contra a corrupção”.

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