You are here

“Os votos do Estado permitem parar a venda da PT”

Catarina Martins questionou o primeiro-ministro sobre a indicação de voto aos acionistas da PT sob controlo público. Passos Coelho respondeu que não fará nada para impedir a venda da PT à Altice.
Catarina Martins confrontou Passos Coelho com a responsabilidade do Estado na próxima Assembleia Geral da PT.

O negócio da venda da PT ao fundo luxemburguês Altice voltou ao debate parlamentar com a intervenção da porta-voz do Bloco de Esquerda. Catarina Martins começou por lembrar que “a privatização  da PT enfraqueceu a empresa e o fim da golden share permitiu todos os abusos”. Mas “com a crise do BES, o Estado está novamente representado com uma voz forte na Assembleia Geral de acionistas”, prosseguiu, concluindo que com o voto do Novo Banco e do Fundo de Capitalização da Segurança Social, junto com o dos pequenos acionistas, “é possível parar esta venda à Altice”.

Lembrando também que na última Assembleia Geral, que adiou a decisão, “os representantes do Estado ficaram ao lado dos grandes acionistas contra os trabalhadores”, Catarina Martins questionou diretamente Passos Coelho sobre as indicações que vai dar aos representantes do Novo Banco e do Fundo de Capitalização da Segurança Social, já que “na próxima quinta-feira é possível ter os 30% para parar a venda”.

Catarina Martins contrapôs que no entender do Bloco, tanto a administração do Novo Banco como a da CGD têm de obedecer ao acionista “e o acionista é quem mete o dinheiro, o que neste caso é o Estado”. “Dizer que não tem nada a ver com o que eles fazem nas Assembleias é uma história da carochinha”, acrescentou, antes de concluir que “quando o primeiro-ministro escolhe entre os interesses do país e o dos acionistas do capital estrangeiro escolhe sempre o destes acionistas”.

Na resposta, o primeiro-ministro afirmou que não irá dar nenhuma indicação aos acionistas que representam capitais públicos. “Não somos donos do Novo Banco, o Estado não é o seu acionista nem nomeia a administração”, revelou Passos Coelho, seis meses após ter injetado mais de 4 mil milhões de euros de capitais públicos para resgatar o antigo BES. “O Fundo de Resolução não dá ordens à administração do Novo Banco em nome dos interesses do Estado, nem este governo dá instruções à Caixa Geral de Depósitos, prosseguiu o primeiro-ministro, garantindo que “o Governo não irá interferir no âmbito de um negócio privado”, apesar do interesse estratégico para o país no negócio da PT.

Catarina Martins contrapôs que no entender do Bloco, tanto a administração do Novo Banco como a da CGD têm de obedecer ao acionista “e o acionista é quem mete o dinheiro, o que neste caso é o Estado”. “Dizer que não tem nada a ver com o que eles fazem nas Assembleias é uma história da carochinha”, acrescentou, antes de concluir que “quando o primeiro-ministro escolhe entre os interesses do país e o dos acionistas do capital estrangeiro escolhe sempre o destes acionistas”.

Também o negócio da privatização da TAP foi abordado no debate quinzenal, com Catarina Martins a acusar o Governo de usar “uma má desculpa, a de que a UE não nos permite recapitalizar a empresa”. A porta-voz do Bloco lembrou que “isso não é verdade porque há outros países europeus que capitalizam as suas empresas públicas” e que as regras da UE já permitem ao Estado capitalizar a TAP. “Inventem mentiras novas, que esta não cola”, desafiou Catarina Martins, recordando que se a TAP tivesse sido privatizada para a Swissair, como planeou o governo de António Guterres, “hoje a empresa já não existia porque a Swissair faliu entretanto”.

Em resposta às palavras do ministro da Economia sobre a manutenção dos direitos apenas dos trabalhadores que desistiram da greve de dezembro, a porta-voz do Bloco defendeu que “não pode existir retaliação sobre trabalhadores que não concordem com o governo”. Na resposta, Passos Coelho desmentiu Pires de Lima e disse que todos os acordos de empresa serão cumpridos.

“Devia pedir desculpas pelo que se passa na Segurança Social e na Saúde”

“Afinal faltavam médicos e foram contratados tarde demais”, registou a deputada, acusando o governo de achar “que podem fazer cortes e que tudo estará bem”, enquanto os efeitos desses cortes na Saúde, Educação e restantes serviços públicos mostram que “o que estão a fazer destrói mesmo o país”.

Na última parte do debate, Catarina Martins chamou a atenção para a “trapalhada” dos despedimentos dos trabalhadores da Segurança Social promovidos pelo ministro Mota Soares. “O Bloco trouxe os trabalhadores ameaçados ao parlamento” para uma audição pública, onde se ficou a saber que todos tinham funções atribuídas e que o Estado terá de os substituir por outras pessoas, pelo que o anunciado despedimento em massa de centenas de trabalhadores não passa de “uma trapalhada que atenta contra as funções do Estado”, acusou a porta-voz bloquista.

Desafiando Passos Coelho a “pedir desculpas pelo que se passa na Segurança Social e na Saúde”, Catarina Martins referiu-se ao caos nas urgências e às mortes dos utentes à espera de atendimento, após o ministro da Saúde ter dito aos deputados que havia médicos suficientes para cobrir as necessidades. “Afinal faltavam médicos e foram contratados tarde demais”, registou a deputada, acusando o governo de achar “que podem fazer cortes e que tudo estará bem”, enquanto os efeitos desses cortes na Saúde, Educação e restantes serviços públicos mostram que “o que estão a fazer destrói mesmo o país”.

20150116cm

Termos relacionados Política
(...)