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Ex-conselheiro de Durão Barroso defende que a Grécia precisa da vitória do Syriza

Segundo o economista Philippe Legrain, “a redução da dívida não é apenas uma questão de justiça”, é uma “necessidade económica”. “Contrariamente à propaganda da UE e do governo de Samaras, a Grécia não está a ultrapassar a crise”, acrescenta.

“Não é preciso ser um radical de esquerda para perceber que Atenas precisa de uma redução da dívida. E uma vitória do Syriza este mês poderá ser a única forma de consegui-la”, refere o economista Philippe Legrain, ex-conselheiro de Durão Barroso, num artigo publicado na Foreign Policy.

Legrain defende que “os bancos da zona euro são corresponsáveis pela situação da Grécia, enquanto os decisores políticos da zona euro – bem como as elites gregas que cumpriram as suas ordens – são culpados pela extensão da miséria que os gregos têm suportado”.

"Os bancos da zona euro são corresponsáveis pela situação da Grécia, enquanto os decisores políticos da zona euro – bem como as elites gregas que cumpriram as suas ordens – são culpados pela extensão da miséria que os gregos têm suportado”.

Segundo o ex-conselheiro de Durão Barroso, “a redução da dívida não é apenas uma questão de justiça”, é uma “necessidade económica”. “Contrariamente à propaganda da UE e do governo de Samaras, a Grécia não está a ultrapassar a crise”, acrescenta.

“A Grécia tem de se defender e exigir a renegociação da dívida, escudando-se na ameaça de um default unilateral. É credível fazê-lo: Na medida em que Atenas tem um excedente primário substancial, não será necessário recorrer a empréstimos se deixar de cumprir o serviço da dívida. O Syriza diz que não vai cortar as obrigações detidas por investidores privados, pelo que complicações legais como as que tiveram lugar na Argentina não são uma preocupação. Com os títulos detidos pelos bancos gregos intocados, o Banco Central Europeu dificilmente poderia recusar-se a aceitá-los como garantia de liquidez”, escreve Philippe Legrain.

“Entretanto, a ameaça alemã no sentido de forçar a Grécia a sair do euro é, provavelmente, apenas ruído: Merkel não tem o direito legal de privar os gregos do uso da sua própria moeda, e é improvável que os banqueiros centrais não eleitos se atrevam a estilhaçar a zona euro”, avança ainda.

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