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BCE volta a pressionar eleitores gregos

Um dirigente do Banco Central Europeu defendeu num canal de televisão francês que a dívida grega ao BCE não poderá ser renegociada. Mas os exemplos português e irlandês desmentem a opinião do banqueiro.
Benoit Coeure é o mais recente responsável da finança europeia a tentar desacreditar as propostas do Syriza. Foto OCDE

Numa entrevista à France 24, citada pela Reuters, Benoit Coeure afirmou que "é ilegal e contrário ao tratado renegociar uma dívida de um Estado detida por um banco central. Os tratados europeus são muito claros quanto a isso." No entanto, a opinião deste dirigente do BCE é contrariada pelos factos: em outubro de 2012, na apresentação do Orçamento de Estado para 2013, Passos Coelho garantiu aos deputados portugueses que renegociara os juros da dívida, reduzindo-os em 800 milhões de euros, na sequência de idêntica negociação prosseguida pelo governo irlandês.

Na sequência de outras declarações de responsáveis europeus, este membro do comité executivo do Banco Central Europeu, que foi economista-chefe do Ministério da Economia francês durante a presidência de Sarkozy, veio contribuir para alimentar a pressão sobre o eleitorado que vai a votos no dia 25, uma vez que a restruturação da dívida grega é o ponto central das propostas do Syriza para reerguer a economia grega e libertá-la dos constrangimentos das políticas de austeridade que afundaram o país.  

Apesar desta ameaça, o responsável do BCE sublinhou na entrevista que "não faz sentido" discutir uma eventual saída da Grécia da zona euro. "A Grécia está na zona euro, a Grécia precisa do euro e a Europa precisa da Grécia", afirmou Benoit Coeure, que diz acreditar que as instituições europeias farão o possível "para preservar a integridade da zona euro. Foi o que fizeram em 2012 e é o que t~em feito desde então", concluiu.

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